Lombadas continuam sendo utilizadas para evitar acidentes
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 01 de julho de 2011
Vítor Ogawa <br> Reportagem Local 
A FOLHA circulou pelo trecho urbano da PR-445, onde a rodovia recebe o nome de Celso Garcia Cid, entre Londrina e Cambé, e contabilizou mais de 20 lombadas. Ao longo do trecho, a reportagem constatou que, muitas vezes, em horários de pico, as lombadas podem causar acidentes. Para quem precisa cruzar a rodovia, a missão é mais demorada do que se houvesse outras opções, como semáforos ou viadutos, que deveriam ser predominantes.
O artigo 94 do Código de Trânsito Brasileiro diz que é proibida a utilização de ondulações transversais e de sonorizadores como redutores de velocidade, salvo em casos especiais definidos pelo órgão ou entidade competente.
O caminhoneiro Aparecido Marco Eugênio, 40 anos, conta que o certo seria substituir as lombadas por semáforos ou por um viaduto. ''Eu conheço três colegas que quebraram a roda e a suspensão em quebra-molas'', expõe Eugênio. ''Aqui no Novo Bandeirantes (Cambé-Norte) tem quatro lombadas em sequência'', contabiliza o caminhoneiro.
O gerente de frota de uma transportadora de Londrina, Luiz Marson, 59, afirma que as lombadas simplesmente não deveriam existir. Marson explica que elas prejudicam o veículo, principalmente a parte da suspensão. ''Os obstáculos causam desgaste de suspensão, caixa de câmbio, pneus e freios'', explica.
Marson destaca que, no caso da PR-445 ele até concorda com a utilização das lombadas para evitar acidentes, mas como paliativo. ''O que deveria ser feito mesmo é a duplicação da rodovia'', opina.
O mecânico Ricardo Paulino, 31, diz que já atendeu casos em que os amortecedores estouraram ao passar por uma lombada. ''Nesse caso, o carro poderia ter perdido o controle e se acidentado gravemente'', conta.
Weverton Luiz dos Santos, 25, é mototaxista há dois anos na região do bairro Bandeirantes (Londrina) e conta que já presenciou três acidentes na PR-445.
Ele relata que as lombadas são mal sinalizadas e não seguem um padrão. ''Tem lugares onde são baixas demais e os motoristas acabam passando direto.''
O empresário Clayton Marques já gravou, em vídeo, três acidentes que aconteceram por causa da lombada em frente a seu estabelecimento, na PR-445, no Jardim Novo Bandeirantes, em Cambé.
Segundo ele, muitos motoristas aproveitam que a lombada existe somente em meia pista e invadem a pista contrária para fugir dela. ''Nesse cruzamento é assim, eles vêm em alta velocidade, observam se algum veículo está vindo no sentido contrário e acabam invadindo a outra pista, mas eles se esquecem de quem sai do bairro'', lamenta.
O garapeiro André de Lima confirma a invasão da pista oposta pelos motoristas para fugir das lombadas. ''Já vi seis acidentes aqui'', contabiliza.
De acordo com o superintendente da regional de Londrina do Departamento de Estradas e Rodagem (DER), Carlos Fumio Yamamura, estão acontecendo obras de melhoria na PR-445, as quais avançaram e já chegaram ao trecho mencionado nesta reportagem. Ainda de acordo com ele, a pista está sem separação porque a empresa responsável pela obra retirou os tachões (blocos que separam a pista) para realizar o revestimento asfáltico. Ele explica que esses tachões serão recolocados em breve para que não haja perigo de o motorista avançar para outra faixa para desviar da lombada, como tem ocorrido.


