Lombada na BR-277 causa perigo
A construção de uma lombada na BR-277, em plena descida da serra de São Luiz do Purunã, em Balsa Nova, trecho administrado pela concessionária Rodonorte, deixou revoltado o motorista Horácio Moisés de Sene, 47 anos, 20 deles na boléia de um caminhão Mercedes Benz. O motorista, que viaja de Curitiba a Goiânia toda semana, disse que quase tombou o caminhão porque não havia sinalização e passou a lombada em alta velocidade, se levado em conta o obstáculo. Levei muita sorte de o caminhão, que estava carregado, não ter tombado, contou.
Lembrando que o Código Brasileiro de Trânsito, que entrou em 22 de janeiro deste ano, proíbe implantação de novas lombadas, o motorista afirmou que o trecho já estava com problemas e não se conforma de a Rodonorte ter começado a cobrar o pedágio mesmo assim. Ao invés de arrumar o pedaço (da estrada), eles fizeram a lombada e começaram a cobrar o pedágio. Pouco adiante da lombada, há um deslizamento de meia pista, onde a empresa faz obras de recuparação.
Apesar das obras, Sene comparou os 270 quilômetros de estrada no Paraná aos 800 quilômetros das rodovias de São Paulo, Minas Gerais e Goiás em que trafega. Segundo ele, a diferença, em qualidade de asfalto, é pequena e não justifica o valor que gasta com pedágio no Paraná, cerca de R$ 240,00 por mês - 20% do salário que recebe, segundo ele. Nas estradas dos outros estados ele não gasta um único tostão com taxas. Acho que tem muita coisa errada nisso (na cobrança do pedágio), afirmou.
O motorista alega que as estradas paranaenses ainda não estão em boas condições, que as pistas estão irregulares e falta, principalmente, acostamentos. De Ponta Grossa para Jaguariaíva (Norte Velho) não tem acostamento, reclamou. Mesmo de Ponta Grossa para Curitiba só pintaram as pistas; o caminhão continua balançando muito, disse ele, afirmando que as rodovias deviam ter qualidade semelhante à rodovia Castelo Branco, em São Paulo, para que o pedágio fosse justicável.
No trecho parcialmente interditado há uma placa que informa que a recuperação começou em 2 de junho e deve terminar em 12 de agosto de 1998. A Folha tentou conversar com a direção da Rodonorte, mas o responsável pela área técnica não foi encontrado.Mauro FrassonIrregularA lombada construída na descida da serra de São Luiz do Purunã não tem sinalização: risco de acidenteJames Alberti





