Medo, prejuízo e indefinição. Essas foram as palavras mais repetidas pelos comerciantes e camelôs durante a ação da Polícia Federal. Com as portas fechadas, os trabalhadores não puderam vender na tarde de ontem. E muitos ainda não sabiam se seria possível voltar a trabalhar na manhã de hoje.
Esse era o caso de Alexandre Refe, que possui loja na Rua Sergipe. Ele disse que, apesar dos prejuízos apóia o protesto dos camelôs porque ''eles também têm direito de trabalhar.'' ''Parece que a cidade está em guerra, como no Iraque'', comentou.
O farmacêutico Marcos Takagui, que também trabalha na Sergipe, disse que o prejuízo do dia foi de aproximadamente R$ 1 mil. Ele também considerou válido o protesto. ''Eles têm permissão da prefeitura para trabalhar. Por esse lado, eles têm razão'', afirmou.
''Não sabemos o que vai ocorrer, está indefinido. Nunca vi nada parecido acontecer aqui'', contou o gerente de loja Nilton César Cessel, que acrescentou que baixou as portas antes do movimento chegar ao local para evitar os riscos de depredação.
E não somente quem trabalha em lojas foi prejudicado. Uma promotora de agência financeira também teve o trabalho atrapalhado pelo protesto. Acostumada a fazer até 30 abordagens no dia, até o final da tarde de ontem não tinha conseguido preencher dez fichas. Ela disse ainda que, com medo, todos os promotores ficaram dentro do banco durante grande parte da manhã.
O proprietário de lanchonete Miguel Ajaime, que teve a porta do estabelecimento comercial chutada por supostos manifestantes, não poupou críticas ao poder público e aos camelôs. Para ele, que manteve apenas uma das portas abertas, o prejuízo foi grande.
''Se com as duas portas abertas já está difícil, imagine só com uma. Mas eu acho que tudo que está errado tem de ser coibido mesmo'', disse. De acordo com o comerciante, o caos no Calçadão foi apenas mais um na coleção de problemas do local. ''O Cristo Redentor não foi eleito agora uma das sete maravilhas do mundo? Então, o (prefeito) Nedson Micheleti está transformando o Calçadão numa das sete porcarias do mundo'', alfinetou.

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