Dimitri do Valle
O comerciante de autopeças Josué Bueno, do bairro Uberaba, em Curitiba, também foi uma das vítimas do empresário Joni Rodrigues, que está desaparecido há dois meses. Bueno tem cerca de R$ 8,3 mil em cheques a receber. São valores de terceiros que Rodrigues utilizava para pagar as mercadorias que comprava na loja para instalar nos carros que vendia na cidade.
Joni Rodrigues é acusado de lesar centenas de pessoas no Estado. Ele comprava veículos com cheques pré-datados e oferecia pelos automóveis um valor 30% acima do mercado. Os cheques repassados por Rodrigues não tinham fundo. Em maio, a Folha revelou que Rodrigues tinha um bom relacionamento com o alto comando da PM e negociava carros com a tropa. Dezenas de policiais também foram lesados na capital. Rodrigues era foragido da Justiça de Marília (SP), onde foi condenado em três processos por crime de estelionato.
Apesar do prejuízo que causou, Rodrigues não é visto como uma pessoa de má fé pelo comerciante José Bueno. ‘‘Ele era muito meu amigo. A gente convivia direto. Ele não fez por intenção. Acho que se empolgou e começou a ficar perdido no volume de negócios’’, afirmou Bueno. Sobre os cheques sem-fundo que mantêm guardados, o comerciante disse que os titulares sustaram os documentos quando os golpes de Joni vieram à tona. Antes das dívidas de Rodrigues começarem a acumular, Bueno disse que o empresário quitava todas as contas que possuía em sua loja. A data dos cheques pendentes variam de julho de 1998 a abril deste ano, com valores que vão desde R$ 120,00 até R$ 1,2 mil.
Bueno disse que ainda não perdeu a esperança de reaver os valores. ‘‘Tenho a impressão que posso recuperá-los, pois são cheques de terceiros. Se fossem do Joni, certamente não conseguiria receber porque ele está desaparecido’’, observou. Mesmo com o prejuízo que sofreu, Josué Bueno disse que os cheques sustados não chegaram a oferecer problema para o seu negócio. ‘‘Até fiquei com receio que poderia prejudicar, mas a princípio não’’, disse.

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