Ter que interfonar e esperar destravarem a porta para entrar em uma clínica médica é algo que já se tornou comum em Londrina. Grande parte desses estabelecimentos tem interfone e/ou portas eletrônicas para filtrar a entrada de pessoas.
''Em um pequeno descuido, uma pessoa entrou logo atrás de um cliente e nos assaltou. E foi em pleno horário de almoço'', conta a funcionária de uma clínica da Avenida Bandeirantes (Área Central), que preferiu não se identificar. Ela afirma que a maioria dos consultórios e estabelecimentos comerciais da região já foi roubada pelo menos uma vez. ''Nós tínhamos um vigia, mas quando ele faleceu resolvemos colocar esse sistema'', relata, acrescentando que no começo os clientes até estranharam, mas hoje já estão habituados. ''Nós explicamos que isso é bom para a própria segurança deles.'' A clínica também conta com um serviço de alarme com senha personalizada e monitorado. ''O investimento compensa pela segurança proporcionada a funcionários e clientes'', avalia a funcionária.
Até mesmo estabelecimentos comerciais estão começando a adotar sistemas de segurança como esse. É o caso de um bazar na Região Central da cidade, que instalou uma porta eletrônica há quatro anos. ''Já fomos assaltados mais de uma vez. Foi depois do último roubo que decidimos instalar o equipamento'', relata a sócia-proprietária da empresa, que também pediu para não ser identificada. Ela alega que a grande maioria das pessoas que frequenta a loja já se familiarizou com o sistema. ''Quando aparece uma pessoa estranha a gente fica mais alerta.''
Ela afirma não saber se a medida ajudou efetivamente a evitar novas ocorrências, mas desde a instalação da porta eletrônica a loja não sofreu mais nenhum assalto. ''A gente fica mais tranquilo, se sente um pouco mais seguro. Mas só um pouco. Só isso não impede os ladrões. Se eles quiserem mesmo, eles acham um jeito de entrar.''
Essa sensação de segurança, porém, tem o seu preço. ''Tem gente que passa em frente, vê as portas fechadas e vai embora. Nós acabamos perdendo alguns clientes'', confessa. Mesmo assim, a empresária não pensa em facilitar a entrada. ''Não sei se saio ganhando ou perdendo com isso, mas também não quero pagar para ver'', assume.
Para o relações públicas do 5º Batalhão da Polícia Militar, tenente Ricardo Eguedis, recursos como esse só têm efeito se aliados a outras medidas de precaução, como orientação e treinamento adequado dos funcionários. ''Toda prevenção pode ter um efeito positivo. O importante é não esperar acontecer para tomar uma atitude'', lembra.
O tenente ressalta que quem quer montar um sistema de segurança em seu estabelecimento precisa tomar algumas precauções. ''É preciso informar-se antes e contatar profissionais especializados para não cair em algumas armadilhas de mercado. Tem gente que vende serviços da polícia, dizendo que tem contatos, por exemplo. Isso não acontece na prática'', alerta.

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