Nem só de lojas com arquitetura moderna e móveis no estilo clean sobrevive o comércio. Londrina tem espaços que conservam os ares e o atendimento do passado, com mobiliário feito da então abundante madeira maciça e a conversa agradável de atendentes que conhecem tudo sobre o que estão vendendo e, muitas vezes, o nome do cliente. Ao contrário dos ambientes quase impessoais de alguns estabelecimentos contemporâneos, ainda há lojas incrustadas nas ruas tradicionais da cidade que mantêm a clientela com o conhecido sorriso exibido por detrás do balcão.
No número 2.914 da Avenida Duque de Caxias um luminoso revela uma destas lojas: A Instaladora Portuguêsa (assim mesmo, com um artigo 'a' e um acento circunflexo que caíram em desuso há algumas décadas). Ali, a sensação é que é possível encontrar de tudo em poucos metros quadrados. São lustres, luminárias, cúpulas de abajur, diferentes modelos de lâmpadas, copos de liquidificador, varais para apartamento, peças de reposição para eletrodomésticos e o que mais couber na infinidade de caixas que cobrem as paredes. Nos fundos, ainda está há espaço para uma oficina.
O dono, Antonio Pereira da Cruz Junior, 79 anos, um português nascido em Leiria/Fátima (região localizada entre Lisboa e Porto), garante que sabe o que tem em cada uma das caixas. Há mais de 40 anos é ele quem acomoda todos os itens no pouco espaço disponível, e durante este tempo a aparente falta de ordenamento tem sido uma característica da loja. ''Isso aqui é do mesmo jeito desde que abriu'', resume seu Antonio. O que mudou, diz ele, foi a concorrência e a freguesia, que hoje é mais exigente.
''Até uns anos atrás o cliente confiava na gente, e a maior preocupação era com a qualidade. Hoje as pessoas só se importam em estar sempre comprando coisas novas.'' A maior dificuldade, porém, é conviver com as grandes lojas, ''que vendem de tudo e tiram o comércio do pequeno''. Reformar o estabelecimento não está nos planos de seu Antonio. ''Isso não influencia. Tem gente que gasta um dinheirão e depois acaba fechando.''
Mudar a 'cara' do bazar também nem passa pela cabeça da família Ajimura, que se instalou na Rua Sergipe em 1948, no quarteirão entre as ruas Professor João Cândido e Pernambuco. Nove anos depois, o Bazar Ajimura mudou para o quarteirão anterior, no número 798, e lá está até hoje, com seu piso de vermelhão, balcões e mezanino de madeira, abrigando artigos que resistem aos modismos, como os lenços de tecido, gravatas, utensílios de porcelana, rendas e fitas.
''No começo vendíamos só aviamentos, mas com o tempo o retorno foi diminuindo e começamos a vender artigos para presentes. E assim estamos tocando há 59 anos'', conta Tadamasa Ajimura, de 66 anos, que tem diariamente a companhia da mãe, dona Tokiko Ajimura, de 89 anos, além da esposa e da irmã. ''Muita gente nos pede para não reformar o bazar. Dizem que é um patrimônio de Londrina. Já estamos atendendo a terceira geração dos nossos primeiros clientes, mas não sei se ainda estaremos aqui quando chegar a quarta geração'', teme o comerciante.
A dona-de-casa Ilda Ferreira Gomes, de 56 anos, aprova a aparência e o atendimento tradicional do bazar. ''Sou cliente daqui há muitos anos e quando preciso de material de costura só compro aqui. Eles são atenciosos, demonstram carinho pela gente, e nem toda loja é assim'', resume Ilda, que mora nas imediações da Vila Casoni (Área Central).

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