Atrativos: mercadorias em exposição à vista dos fregueses, negociação direta com o consumidor, pechincha como prática comum e mobilidade para ir onde a clientela está. Pontos fracos: risco do sol ou chuva prejudicar o conforto dos clientes no momento do atendimento, ameaça constante de fiscalização do poder público e o perigo, de uma hora para outra, de perder as mercadorias.
Este é o panorama de um mercado em expansão. Cada vez mais vendedores ambulantes ocupam as ruas, calçadas e praças de bairros distantes da Área Central de Londrina com verdadeiras lojas ao ar livre. A diversidade é grande: móveis, quadros, redes, almofadas, melancias, brinquedos. No mercado informal, a concorrência e os riscos para as ''empresas'' estão tão presentes quanto em qualquer outro negócio.
Como em outras ''lojas'', a localização é essencial para que as vendas sejam boas. E a conquista do melhor ponto é feita com base em anos de trabalho para cultivar a clientela. Foi assim que um ambulante que comercializa redes nos arredores da Área Central conseguiu conquistar o espaço. Com a colaboração e boa vontade do proprietário de uma residência, ele ocupa a calçada em frente da casa há mais de dez anos, onde luta pelo sustento da família, que trouxe de Patos (PB).
Para o homem de 37 anos, as incertezas do movimento e do clima não significam nada comparado ao sofrimento da infância na terra natal. ''Trabalhar o dia inteiro na lavoura para ganhar R$ 5,00 no fim do dia não é fácil. Por isso fui procurar meu destino. Meu pai ainda me disse para eu seguir sem medo porque a vida é uma escola, tudo se aprende'', comenta.
Mas a rotina dele não é nenhum mar de rosas. Longe disso. Como o próprio ambulante diz, a venda de hoje paga a refeição de amanhã. Tem dias que ficar na ''loja'' das 8h30 às 18h30, sem direito de fechar para almoço, não é suficiente para vender nem mesmo uma única rede.
Quando a sorte ajuda, a saída é de quatro a cinco por dia. Para ele, a qualidade dos produtos facilita a comercialização. As redes são fabricadas manualmente e são trazidas diretamente do Nordeste, onde o artesanato é, algumas vezes, a única fonte de renda de cidades inteiras.
Os marreteiros, como os próprios ambulantes se definem, dizem que também é muito importante saber lidar com os fregueses. Um vendedor de melancia de 44 anos afirma que é complicado negociar com alguns deles. Principalmente quando um carro caro estaciona para comprar ao lado do caminhão e o motorista tenta, de qualquer forma, pechinchar no preço da fruta. Mas também existem, relata, os fregueses que nem descem do veículo e confiam na qualidade e preço da escolha do ''comerciante.''
''Vendo melancia de janeiro a janeiro. Compro o produto no Paraná, São Paulo, Goiás, Rio Grande do Sul. Onde for necessário, para ter o produto sempre'', garante. E o aumento de clientela que o tempo mais quente proporciona traz de carona mais concorrência. No verão, o número de ambulantes no ramo cresce bastante. O que, segundo ele, não afeta a fidelidade dos clientes rotineiros.
E é lutando contra as dificuldades, da fiscalização oficial à concorrência predatória, que os ''comerciantes das ruas'' vão conquistando dia a dia a sobrevivência. Cada um com ponto e freguesia próprios e consolidados.

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