Loja vendia griffe Bad Boy falsificada
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quinta-feira, 15 de outubro de 1998
Marccio W. Varella 
Depois de ter sido considerada a capital nacional da pirataria fonográfica, Maringá corre o risco de se tornar a campeã paranaense da falsificação de roupas. O alerta foi feito ontem pelo delegado-chefe do 4º Distrito Policial José Maurício de Lima Filho. Na manhã de quarta-feira, agentes do 4º Distrito e fiscais da Receita Estadual apreenderam cerca de 1.400 peças de roupas falsificadas da marca Bad Boy, que tem patente em São Paulo. A apreensão só foi possível porque um dos representantes da empresa paulista foi avisado que duas lojas do Shopping Mercosul, em Maringá, estavam vendendo peças falsificadas da Bad Boy.
O representante da empresa viajou para Maringá, comprou algumas peças e requereu abertura de inquérito à 9ª Subdivisão Policial, juntando ao processo peças originais para que o Instituto de Criminalística fizesse a comparação. Não temos como combater este tipo de falsificação se o fabricante não nos ajudar, mostrando para a polícia as peças originais para que possamos fazer blitz nas lojas, disse o delegado.
A polícia e a Receita Estadual indiciaram em inquérito o comerciante libanês Ali Abbas El Haj Hussein, de 31 anos, e a brasileira Rosângela Alves Machado. Eles vão responder em liberdade por crime contra a propriedade industrial e danos fiscais e podem pegar pena entre três meses e um ano de prisão. Eles são os proprietários das lojas do Shopping Mercosul que estavam vendendo roupas falsificadas da Bad Boy.
A mercadoria não tinha notas fiscais e as lojas terão de pagar multa de 30% sobre o valor das roupas, mais taxa de 17% de ICMS. O comerciante Hussein disse à polícia que as roupas foram compradas de José Santos Elias, que está sendo procurado pela polícia.
O delegado Lima disse que a falsificação no ramo das confecções é muito grande em Maringá. Com um produto de qualidade inferior, esses falsificadores vendem as roupas com preço menor e ainda lucram com a propaganda do produto original e com a confiabilidade da marca, disse.
Esta mesma dificuldade é encontrada pela Receita Estadual. O fiscal Luís Carlos Gallo disse que falsificar roupas é fácil. O difícil é combater este tipo de crime, pois não temos um padrão de referência, uma peça original para podermos fazer a comparação.
Não é a primeira vez que a Receita apreende roupas falsificadas em Maringá. No dia 3 de junho, foram apreendidas 1.200 calças da marca Wrangler. Há quatro anos, foram apreendidas cerca de mil calças jeans Topper. Nessa mesma época, segundo Lima, a polícia apreendeu grande quantidade de peças para veículos automotores falsificadas, que estavam sendo vendidas como sendo da marca Metal Leve.
Em setembro, a Polícia Federal apreendeu em Maringá cerca de 20 milhões de capas de fitas cassete piratas, prontas para serem colocadas nas caixinhas, e mais 100 mil CDs também piratas. Foi a maior apreensão do gênero já feita no país, segundo o delegado da Polícia Federal Antônio Borges, que comandou as investigações. Foram detidas 11 pessoas. A apreensão foi acompanhada de perto pelo ministro da Justiça Renan Calheiros. Hoje podemos dizer que Maringá é a capital nacional da pirataria fonográfica do Brasil, disse, na época, o secretário-executivo da Associação de Proteção aos Direitos Intelectuais Fonográficos, Márcio Gonçalves.


