Loja servia de fachada para desmanche
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terça-feira, 25 de novembro de 1997
Carmem Murara 
Curitiba
Kraw PenasFio da meadaPolícia investiga agora possibilidade de quadrilhas roubarem carros em outros Estados para desmontá-los no ParanáOs policiais do Centro de Operações Especiais (Cope) da Polícia Civil fecharam ontem a revendedora Docarro Autopeças, que funcionava na Avenida Salgado Filho, conhecida como Avenida do Desmanche. A loja era apenas fachada para uma oficina de desmonte de carros roubados em São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Os policiais chegaram até a empresa depois de pegar um carro roubado numa operação de fiscalização na BR-116, estrada que liga Curitiba a São Paulo.
A blitz aconteceu no sábado pela manhã. Todos os carros que trafegavam no sentido São Paulo-Curitiba foram parados. Um automóvel Vectra, onde estavam Wagner Santos da Silva e Levi Marques de Souza, tentou furar o bloqueio mas foi interceptado. Os dois acabaram confessando que levariam o carro para o desmanche, que ficava junto à loja Docarro, disse o chefe do Cope, delegado João Ricardo Noronha.
A polícia armou um flagrante e encontrou dentro do desmanche motores e chassis adulterados e placas de carros roubados. Eles recolheram o material e prenderam os funcionários Gilmar Santos, Alberto Schmidt e Luiz Fabiano Ribeiro de Lima. Este último era marido da dona da loja Madi Madelon Leopoldo, que escapou da prisão porque não estava na empresa na hora que a polícia chegou.
Segundo o delegado Luiz Fernando Artigas Júnior, que acompanhou a interdição do desmanche, o grupo está preso sob acusação de formação de quadrilha, receptação e roubo de carros. Eles foram encaminhados para o Centro de Triagem. Nenhum dos cinco quis dar declarações sobre a prisão. Eles disseram que só vão falar em juízo.
O secretário de Segurança Pública do Paraná, Cândido Martins de Oliveira, e o diretor geral da Polícia Civil, Artur Braga, acompanharam o fechamento da loja de autopeças. Braga disse que a descoberta do desmanche evidencia que há quadrilhas especializadas em roubar carros em outros Estados, trazê-los para o Paraná e depois comercializar as peças em Curitiba e até nos Estados vizinhos. Isso mostra que nem todos os carros roubados aqui vão para o Paraguai, disse o diretor geral. Curitiba tem uma média diária de 20 carros roubados.
Oliveira disse que a operação de fiscalização feita em conjunto pelos Estados facilita a descoberta dos ladrões e dos desmanches: Nós do Codesul (Conselho de Desenvolvimento dos Estados do Sul, que engloba PR, SC, RS e MS) trabalhamos em sintonia, o que ajuda na captura destas quadrilhas.


