Loja fecha e funcionários protestam
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quarta-feira, 22 de outubro de 2003
Rodrigo Sais<br>Equipe da Folha 
Curitiba Quase acabou em tumulto o protesto realizado ontem por cerca de 60 funcionários, clientes e fornecedores da loja 5.200 Móveis, em Curitiba. Os manifestantes ameaçaram saquear a loja, que fechou suas portas na segunda-feira com dívidas estimadas pelos funcionários da empresa em R$ 3 milhões. A Polícia Militar (PM) enviou três viaturas para evitar a depredação.
Segundo o funcionário da 5.200 Móveis, Carlos Guedes, a loja vinha enfrentando problemas financeiros desde janeiro deste ano. ''Os salários vinham atrasando constantemente, os produtos não estavam sendo entregues aos clientes e os fornecedores também não recebiam o pagamento pela mercadoria'', comentou Guedes. A loja funcionou normalmente até sábado, mas amanheceu na segunda-feira com as portas fechadas.
Nem os funcionários têm certeza sobre quem seria o proprietário da loja. ''Quando a loja dava lucro, um gaúcho chamado Miguel visitava os funcionários a cada mês dizendo-se o dono da loja. Nos últimos meses, ele deixou de aparecer, afirmando que não era o dono da loja. O nome constante no contrato social da 5.200 Móveis não é dele, o que nos leva a crer que a loja deve estar registrada no nome de algum laranja'', salientou Guedes.
Os funcionários reuniram-se ontem para decidir como buscar seus direitos trabalhistas. ''Não sabemos ainda se foi pedida falência, concordata, ou se os donos simplesmente fugiram. Vamos aguardar o prazo de 72 horas para verificarmos as medidas que serão tomadas na Justiça do Trabalho'', afirmou Guedes.
Enquanto os funcionários recorrem à Justiça do Trabalho, fornecedores e clientes que não receberam os produtos comprados dirigiram-se ontem à Delegacia do Consumidor para prestar queixa. Segundo a delegada Soraya Maria Mendes da Silva, ainda não se sabe se algum crime foi cometido com o fechamento da loja. ''Ainda precisamos checar quem são os proprietários e onde eles se encontram. Pode ser um caso de falência normal, e nesse caso as pessoas terão que buscar ressarcimento na Justiça Cível. Mas caso fique comprovado que houve má-fé, pode se tratar, em tese, de um crime que poderia até resultar em prisão'', explicou a delegada.
Segundo os funcionários da 5.200 Móveis, o suposto proprietário teria outra empresa no mesmo ramo de atividades em Porto Alegre (RS), que estaria em processo de concordata. A Folha tentou contato com a empresa em Porto Alegre, mas ninguém atendeu as ligações.


