Loja é acusada de maus-tratos
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terça-feira, 03 de março de 1998
Osmani Costa 
César AugustoRecanto do CriadorA professora Célia Ferreira com estudantes da UEL: dono da loja considera denúncias infundadasA professora Célia Ferreira e cinco estudantes do 4º ano de Medicina Veterinária da Universidade Estadual de Londrina(UEL) registrariam na tarde de ontem, junto à Promotoria de Defesa do Meio Ambiente e ao Ibama, denúncia contra a loja Recanto do Criador por supostos maus tratos a animais.
Entre as irregularidades que as acadêmicas dizem existir na loja - que funciona no maior shopping center da Cidade - destacam-se o pequeno tamanho dos bebedouros que servem água aos cães e o fato de estar exposto, ao lado dos animais domésticos, uma ferret da África (doninha), animal silvestre.
Filhotes de cães passam sede constantemente nesses viveiros, porque os bebedouros são muito pequenos. Esse tipo de vasilha é utilizado para coelhos e gatos, mas não para cães, que necessitam de mais água, enfatiza a estudante Cíntia Yumi Fujiwara. Ela lembra que há cerca de três meses estiveram na loja e pediram, a um funcionário, a substituição dos bebedouros por outros mais adequados.
Márcia Shimada ressalta que a mudança não foi feita e os cães - principalmente os de médio e grande portes - continuam sendo prejudicados. Outro problema é que convivem, misturados na loja, animais domésticos e animais silvestres, o que pode acarretar a transmissão de doenças entre eles. Queremos saber também se a loja possui permissão para vender animais silvestres, diz a estudante da UEL.
O proprietário da Recanto do Criador - uma empresa que vende animais e produtos veterinários com quatro lojas em Londrina -, José Cervantes Jesus Júnior, afirma que as denúncias são infundadas. Estes bebedouros são fruto do desenvolvimento tecnológico, importados dos Estados Unidos, e funcionam com perfeição. Nenhum animal passa sede nas nossas lojas. Esta crítica é ridícula. Por que iria maltratar os animais se vivo da venda deles, se dependo deste negócio?
O bebedouro, com capacidade para meio litro de água, é parecido com os usados para aves e está à venda por R$ 10,00. Na extremidade do caninho fica uma bolinha, que controla a saída de água. O cão passa a língua nela e bebe à vontade. Não há problema algum com o aparelho, cuja procura é muito grande porque os donos de cães sabem que ele é prático e funcional, garante José Júnior.
Em relação à doninha, ele explica que o animal silvestre foi comprado há três anos, por cerca de R$ 450,00, e não está à venda. Comprei de uma importadora de animais, que trouxe a ferret de um país africano. Tenho toda a documentação aprovada pelo Ibama. Ela é animal de estimação, e está exposta na loja porque é dócil, brincalhona, comenta o comerciante. Segundo ele, não há o risco de transmissão de doenças porque todos os animais da loja são vacinados regularmente.


