Silvana Leão
De Londrina
A Polícia Civil de Londrina instaurou inquérito para apurar provável golpe aplicado na cidade pela loja de móveis Casa Nobre, inaugurada há um mês na Avenida Tiradentes, 155 (zona oeste). Ontem, a loja fechou as portas, deixando indignados dezenas de clientes que esperavam receber seus móveis – muitos pagos à vista – esta semana. Até o final da tarde mais de 20 pessoas haviam registrado queixa na 10ª Subdivisão Policial de Londrina (SDP). O prejuízo pode chegar a R$ 500 mil.
Segundo levantamento informal feito por alguns empresários do ramo, que se basearam na queda de faturamento de suas lojas este mês, o prejuízo pode ultrapassar os R$ 500 mil. Cerca de 400 estofados teriam sido vendidos e mais de 500 pessoas podem ter sido lesadas. A loja vinha anunciando frequentemente em vários veículos de comunicação, como jornais, rádios e TVs, que também correm o risco de ficar sem receber.
Segundo o delegado-adjunto da 10ª SDP, Acácio de Azevedo, se o proprietário da loja, Cícero José dos Santos, não for encontrado para prestar esclarecimentos, poderá ter sua prisão preventiva decretada. ‘‘Tudo indica que se trata de crime de estelionato’’, afirmou o delegado, explicando que os telefonemas de clientes informando sobre o fechamento da loja começaram a chegar logo pela manhã.
Com a notícia, vários clientes foram até o local onde investiram recentemente suas economias na compra de móveis. O casal Juliana e Vardeli Almeida da Silva foi avisado pelo irmão dele e correu para lá, na esperança de conseguir pegar a sala de jantar e um bar. ‘‘Pagamos R$ 460,00 à vista por uma sala de jantar e demos um cheque para 30 dias por um bar. A nossa vontade era de entrar aí e pegar os móveis, mas a polícia não deixa. Estamos revoltados’’, disse Vardeli, que é garçom.
Ele confessou que chegou a desconfiar que alguma coisa estava errada, porque o preço oferecido pela loja era muito abaixo do mercado e que a vendedora insistiu muito para que pagassem à vista. ‘‘Eles falavam para a gente que tinham fábrica própria e que as peças seriam entregues dentro de 25 dias.’’ O casal fez a compra no último dia 6.
Neste mesmo dia, Fernando César de Paula, funcionário da Companhia de Desenvolvimento de Londrina esteve na Casa Nobre comprando um jogo de sofá e duas mesas laterais. Pagou R$ 300,00 à vista. Ontem, ele era um dos que enfrentavam fila na polícia para registrar a ocorrência. ‘‘Nós fomos ingênuos em pagar à vista e concordar em esperar para receber os móveis. Acreditamos que as peças eram baratas por ser de fabricação própria’’, dizia outra consumidora, uma professora que preferiu não dizer seu nome.
O proprietário da fábrica e loja de móveis Ipiranga, Antonio Carlos de Souza, afirmou que desconfiou da seriedade da nova loja desde o primeiro anúncio que viu. ‘‘Não tem milagre. Nós estamos há 48 anos no ramo e sabemos que não tem como trabalhar naquela margem de preço que eles estavam anunciando, que era metade dos valores praticados no mercado.’’
Antonio de Souza afirma que ele e os demais empresários estão sentindo-se lesados indiretamente, pois as pessoas que caíram no golpe (conhecido como ‘‘arara’’) deixaram de comprar nas lojas tradicionais da cidade. Paulo Eduardo Rodrigues, gerente de vendas da Bolelli e Cia. Ltda. afirmou que chegou a consultar os fornecedores para obter informações sobre a loja. ‘‘Ficamos sabendo que tinham sido comprados apenas os móveis para montar o show-room, pelo mesmo preço que eles estavam oferecendo as peças aos clientes. Nenhum móvel foi encomendado depois.’’Mais de 500 pessoas podem ter sido lesadas pelo dono da Casa Nobre, que fugiu sem entregar os móveis pagos à vista
Josoé de CarvalhoREVOLTAVítimas da loja fazem fila na delegacia para registrar queixa contra empresa que vendeu e não entregou móveisJosoé de CarvalhoFachada da Casa Nobre, na Avenida Tiradentes: estelionato

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