Paulo WolfgangAdubando dá!Fernandes mostra fertilizante feito a partir de lodo do esgoto: produto é rico em fósforo e nitrogênioQuando se fala em tratamento de esgoto poucos sabem que o processo acaba gerando um resíduo - denominado lodo do esgoto - altamente contaminado com microorganismos patogênicos que podem ser prejudiciais à saúde do homem. Atualmente, há apenas duas alternativas para o lodo: ser estocado nas imediações das estações de tratamento ou ser aplicado em lavouras de forma empírica e sem segurança.
Mas uma pesquisa iniciada em 92 pelos professores da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Fernando Fernandes e Sandra Marcia Cesário da Silva - e ainda em andamento - mostra que é possível transformar o lodo em insumo agrícola de alta qualidade, além de ser isento de microorganismos que podem causar danos à saúde.
O resultado da pesquisa revela que o adubo resultante do uso do lodo e resíduo verde possui de 2,5% a 3% de nitrogênio, de 3% a 4% de fósforo, que são os principais nutrientes do produto; além de 70% de matérias orgânicas. Com o apoio do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), estão sendo feitos testes nas mais variadas lavouras para se determinar as doses corretas a serem aplicadas e a produtividade resultante.
Para os estudos foi produzido o adubo em escala piloto, dividido em nove leiras, dispostas na Fazenda Refúgio (zona sul), pertencente ao município. Segundo os professores, foi feito um monitoramento de germes patogênicos, metais pesados e das características agronômicas, como a presença de nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio etc.
‘‘Chegamos à conclusão que, por intermédio do uso de uma tecnologia simples de compostagem, é possível transformar o lodo do esgoto e resíduos verdes em um adubo de qualidade. A pesquisa pode até subsidiar a criação de uma usina de compostagem na Cidade’’, diz Fernandes.
Além disso, a pesquisa dos professores credenciou a UEL a participar do Programa Nacional de Pesquisa, baseada na formação de redes cooperativas. O programa foi proposto há cerca de um ano e meio pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), tendo quatro temas básicos: tratamento de água, esgoto, lixo e lodo.
Os professores relatam que a UEL se apresentou para trabalhar com lodo, sendo então formada uma rede de pesquisa da qual participam a Universidade de São Paulo, Universidade Federal do Espírito Santo, Sanepar, Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), além da UEL. Fernandes foi eleito o coordenador da rede.
Nesta fase, foram incluídos na pesquisa o lodo produzido na estação de tratamento de água e resíduos de podas de árvores. ‘‘Já temos bons resultados com relação a um destino final para o lodo da estação de tratamento de água, que pode ser misturado ao lodo do esgoto e resíduos verdes, sem interferência na qualidade do adubo. Este lodo, embora não em grandes proporções, traz problemas ao meio ambiente, uma vez que é devolvido aos rios’’, comenta Sandra Mara. Para o professor Fernandes, essas pesquisas representam o primeiro passo para um processamento integrado de vários resíduos urbanos.

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