Locutores conquistam espaço no comércio
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terça-feira, 28 de julho de 1998
Lúcio Horta 
Tudo começou com uma brincadeira de criança. O garoto Jurandir Rodrigues, nascido na cidade de Uraí (26 quilômetros a oeste de Cornélio Procópio), não cansava de imitar o cantor norte-americano Michael Jackson. Copiava tudo do ídolo: a dança, o estilo de arrumar o cabelo, o jeito de andar. O tempo passou, mas a vocação artística permaneceu. Quando tinha 17 anos, já estudando em Rancho Alegre, Jurandir montou um grupo e virou cantor de rap.
Fazia shows em lanchonetes da cidade e até em comícios para políticos da região. Foi nesse trabalho que comecei a desenvolver e trabalhar melhor a voz, recorda. Depois dos 18 anos, Jurandir descobriu que, para seguir a vida de artista, era preciso ter muito mais do que talento: era preciso ter sorte e dinheiro. Acabou desembarcando em Londrina, onde fez de tudo, desde trabalhar em associações para menores carentes até vender suco natural na rua.
E foi vendendo suco - onde usava e abusava da animação dos tempos de rap - que Jurandir descobriu uma nova profissão: a de locutor de loja. Ou então, como prefere chamar, de chavecador (gíria que significa brincar com as pessoas, tirar sarro). Teve um dono de loja que viu meu jeito de falar, na rua, gostou e acabou me contratando. Fiquei seis meses naquela loja e depois vim para esta (na rua Sergipe, Centro), onde já estou há três anos. E esse trabalho tem me dado muita satisfação, afirma.
Jurandir Rodrigues, hoje com 22 anos, já se considera um profissional experiente na profissão e planeja novas investidas. Gostaria muito de fazer publicidade em tevê, já tenho até umas idéias, conta. O rádio também é uma meta para o chavecador mas, por enquanto, ele diz que está muito satisfeito com a profissão. Gosto do que faço porque trabalho com o povo. E quem trabalha com o povo é artista.
Em Londrina, não é difícil identificar as lojas que têm um chavecador, principalmente no Calçadão da Avenida Paraná, centro. É só notar uma caixa de som na porta do comércio e uma moça ou rapaz com o microfone na mão, falando com música de fundo. Promoção inacreditável, a melhor oferta da cidade, aqui você vai encontrar preço e qualidade, é só ir entrando, são algumas da frases ouvidas.
No ramo há 10 anos, Diovando Inácio de Oliveira, 28, diz que começou trabalhar em Bela Vista do Paraíso (40 quilômetros a norte de Londrina) apresentando comícios. Passou por emissoras de rádio e há cinco anos veio para Londrina, também como locutor de rádio. Mas o mercado acabou ficando mais disputado e Diovando resolveu procurar novas alternativas. Há um ano e meio, começou como locutor de loja.
Este é um trabalho difícil, a gente tem que usar bastante a criatividade e o carisma para não ficar enjoativo, cansar as pessoas, ensina Diovando. Mas, apesar de difícil, é bastante interessante. Pretendo continuar com isso. Desde pequeno já me interessava pela locução e não quero parar.


