Rua Uruguai:  lombada deveria ser retirada após implantação do semáforo
Rua Uruguai: lombada deveria ser retirada após implantação do semáforo | Foto: Gustavo Carneiro

As obras de construção do viaduto na avenida Dez de Dezembro, na zona leste, mudaram o fluxo do tráfego em Londrina e isso obrigou a prefeitura a implantar dois semáforos na rua Uruguai - nos cruzamentos com as ruas Pará e Goiás. Esses locais já possuíam lombadas para reduzir a velocidade dos veículos, mas elas não foram removidas quando a CMTU implantou a nova sinalização, para revolta dos motoristas. “Isso é péssimo”, critica o corretor de imóveis, Maicon Roberto dos Santos, “O motorista já está parando por causa do semáforo, não tem necessidade de mais uma lombada. Os dois juntos pode até causar um acidente”, afirma. “Tinham que tirar essa lombada. Na hora de sair, quando abre o sinal, atrapalha bastante, porque o carro sofre impacto”, destaca o empresário Vicente Francisco de Araújo.

A advogada Letícia Casemiro Teixeira mora nas imediações e relata que há riscos de acidente, principalmente à noite, já que muitos motoristas só observam o semáforo e quando percebem a existência da lombada acabam freando. “De madrugada escuto várias freadas bruscas”, aponta.

Mas não é somente na rua Uruguai que há críticas. Na rua Georgetown, no Parque Guanabara (zona sul), a lombada foi instalada e quando a via possuía fluxo nos dois sentidos. Porém, agora a via ficou com direção única, no sentido da rua Bento Munhoz da Rocha Neto rumo à avenida Madre Leonia Milito. Com isso, a lombada ficou em um trecho em aclive. “Ali já foi solicitada a remoção da lombada”, destaca a diretora de Trânsito e Sistema Viário do Ippul (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina), Denise Maria Ziober.

Sobre a rua Uruguai, ela explica que as obras viaduto aumentaram o fluxo veículos na via e a CMTU se apressou para implantar os semáforos, mas não houve tempo hábil para a remoção dos obstáculos, que ficou a cargo da secretaria municipal de Obras. O secretário da pasta, João Verçosa, garante que todos os pedidos de implantação ou remoção de lombadas são executados imediatamente ou no prazo mais rápido possível.

Segundo ele, sua pasta só pode executar o serviço mediante a apresentação de projeto pelo Ippul. “Esses pedidos não chegam pelo SEI (Sistema Eletrônico de Informações), é pelo SIP (Sistema Integrado de Processos- que é mais burocrático). Normalmente atendemos as solicitações rapidamente”, garante Verçosa.

O secretário observa que no cruzamento das avenidas Dez de Dezembro e Europa também há semáforo e lombada no mesmo local. “Era um lugar que tinha muitos acidentes. Desde que implantaram a lombada por lá nunca mais vi acidente ali.”

A remoção ou readequação das lombadas é um problema recorrente, já que muitas vezes esses dispositivos são antigos. “Isso não ocorre apenas em uma gestão. A colocação indiscriminada de lombadas foi incentivada pela própria população. Como os moradores defendem isso, o poder público acaba deixando”, declara Ziober.

O Contran (Conselho Nacional de Trânsito) estabeleceu um prazo de um ano desde a publicação do CTB (Código de Trânsito Brasileiro), em 1997 para readequar todas as lombadas, caso contrário elas deveriam ser retiradas. Mas o serviço não tem sido fácil. “Aqui em Londrina o serviço é realizado à medida que as vias são recapeadas. Como é um dispositivo sobre o asfalto, tem fundação estruturada. Não é só um montinho de asfalto sobre a pista, senão os veículos poderiam deslocar ou descolar o obstáculo e isso causaria risco maior”, explica Verçosa.

SEGURANÇA

O especialista em Trânsito e ex-diretor de trânsito da CMTU, Sérgio Dalbem, afirma que se a lombada está dando segurança e houve diminuição dos acidentes, esses fatores precisam ser levados mais em conta do que o cumprimento imediato de uma resolução. “Temos que priorizar primeiro o pedestre, depois a bicicleta, depois a moto, depois o carro e só depois os caminhões e os ônibus. A preferência é sempre do mais vulnerável para o mais forte”, declara. “A prefeitura tem o poder discricionário e pode realizar essa avaliação do custo-benefício”, argumenta.

REGULAMENTAÇÃO

Ainda de acordo com a resolução, a ondulação transversal deve ter a largura igual à da pista, 1,5 metro de comprimento e altura variando entre 0,06 e 0,08 metro. São dimensões que não são respeitadas na maioria dos obstáculos existentes em Londrina. O motorista do aplicativo Uber, Evandrei Queiroz Costa, compara os obstáculos daqui com os de sua cidade de origem. “Eu sou de São Paulo e vi que em Londrina tem muitas lombadas altas e danificam o carro”, afirma.

Obstáculo  na Andirá serve para desvio do fluxo de água da chuva
Obstáculo na Andirá serve para desvio do fluxo de água da chuva | Foto: Gustavo Carneiro

As lombadas estão regulamentadas pela resolução nº 600/2016 do Contran (Conselho Nacional de Trânsito). Elas podem ser utilizadas em casos especiais, onde há a necessidade de reduzir a velocidade dos veículos de forma imperativa, nos casos em que há índice significativo ou risco potencial de acidentes causados pelo excesso de velocidade e onde outras alternativas de engenharia de tráfego são ineficazes.

Na área urbana, esse dispositivo deve ficar a 15 metros do cruzamento com outra via, padrão que não é respeitado em locais como a rua Andirá (Centro), entre a rua Pernambuco e a rua João Cândido. As duas lombadas nessa via ficam rentes ao cruzamento, o que faz com que os veículos que acessam a rua tanto pela João Cândido quanto pela Pernambuco tenham de reduzir a velocidade bruscamente. ” Quando a gente entra da rua Pernambuco para a Andirá, precisa entrar de 'esgueio' e o carro balança muito. Uma faixa elevada seria muito melhor”, declarou o motorista de Uber, Adilson Barbosa da Silva.

O frentista de um posto da região, Luiz Paulo Garcia, acredita que o objetivo da implantação dos obstáculos não foi disciplinar o trânsito, mas evitar que a água em dias de chuva invadisse a via. O secretário de Obras, João Verçosa, confirma que a “lombada” serve para desvio do fluxo de água da chuva. “Existe até um pedido dos moradores da região para que o obstáculo seja aumentado”, aponta Verçosa.

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