Local terá de ser monitorado por 20 anos
O fim dos despejos de lixo no aterro controlado do Limoeiro não significa o encerramento das atividades no local que recebeu, por quase quatro décadas, os dejetos produzidos nas residências de Londrina Por causa do risco ambiental imposto principalmente pela produção de chorume e biogás, será preciso implantar um projeto para recuperar a área
A prioridade, segundo o professor Fernando Fernandes, da UEL, é estabilizar a mecânica da massa de lixo para evitar desmoronamentos ''Será preciso reacomodar os taludes, pois a ocupação do local foi caótica'', explicou Em seguida, a orientação é o recobrimento total das camadas de lixo com terra
A terceira medida seria melhorar a drenagem das águas pluviais para permitir que a água da chuva seja captada sem passar pelo lixo ''Se a chuva passa pelo lixo, gera chorume que pode contaminar o solo, a água subterrânea e, eventualmente, os rios ''
O projeto prevê também a instalação de drenos para o biogás que, se não for gerenciado, oferece ameaça de explosões que poderiam comprometer a estabilidade do terreno Outro problema é que o biogás é composto principalmente por gás metano, cuja molécula produz 20 vezes mais efeito estufa que uma molécula de gás carbônico A solução mais viável para minimizar a poluição é instalar queimadores na saída dos drenos para transformar o metano em gás carbônico
Outra possibilidade, mais difícil de ser implantada, é a utilização do metano como fonte de energia De acordo com Fernandes, o aterro do Limoeiro gera, atualmente, 15 milhões de metros cúbicos de metano por ano, o que seria suficiente para produzir 1 mil kvas de energia A tendência é que, com o passar dos anos, esse potencial diminua
A remediação da área incluirá, no final, a revegetação com gramíneas e a construção de uma lagoa de emergência para períodos de chuvas e um sistema que permita a recirculação do chorume, através de uma bomba, permitindo que a substância se reinfiltre no lixo
De acordo com o presidente da CMTU, André Nadai, a expectativa é que as obras para remediação do aterro sejam feitas nos próximos dois anos ''Mas o local terá que ser monitorado por mais 20 anos'', explicou O custo previsto é de aproximadamente R$ 2,8 milhões, com início das obras no ano que vem Segundo ele, ainda não há como definir projetos para depois da remediação (C A)





