O prédio que serviu de hospital psiquiátrico e depois foi transformado em presídio já era uma ambição a ser conquistada pelas autoridades da então Província do Paraná, no século 19. Mas o desejo só foi concretizado 49 anos depois, em 1903, quando o Hospício Nossa Senhora da Luz foi inaugurado. E há uma contradição em seu nome. O prédio fica no bairro do Cabral e foi oficialmente batizado de Prisão Provisória de Curitiba (PPC), mas passou a ser conhecido como Presídio do Ahú, nome de outro bairro da cidade.
Um informe histórico preparado pelo governo cita que até o imperador Dom Pedro II, quando veio a Curitiba em 1880, participou do lançamento da pedra fundamental da penitenciária a ser construída na capital paranaense. Mas ela só iria nascer de fato quase 30 anos depois, em 1909, quando o governo do Estado comprou as instalações do hospício, que era mantido pela Santa Casa de Misericórdia de Curitiba. A Igreja Católica acabou recebendo em troca do Executivo estadual um asilo no bairro do Prado Velho ‘‘em local mais apropriado’’.
Pelos padrões das penitenciárias de hoje, a PPC daquela época era até modesta. A prisão tinha acomodações para 49 presos e foi ocupada por 44 homens e cinco mulheres. Os funcionários que trabalhavam na administração moravam em casas junto ao estabelecimento penitenciário. Em 1958, o complexo já acomodava 350 detentos. O prédio onde funciona a portaria externa e a administração do presídio teve a construção iniciada em 1977. Porém, desde 1958, a prisão provisória do Ahú não sofreu qualquer tipo de ampliação para aumentar a capacidade de receber presos. (D.V.)

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