Locação de área da Casa do Estudante causa reclamação
Paulinho WolfgangRendaUma parte do terreno da Casa do Estudante da UEL foi alugada por R$ 300,00 para a instalação de lanchonete: comerciantes dizem que obra pode prejudicar vendas da regiãoTelma Elorza
Comerciantes vizinhos da Casa do Estudante da Universidade Estadual de Londrina (Ceuel), localizada na Avenida J.K (zona central), estão reclamando que os estudantes-moradores cederam uma parte do terreno da entidade para a instalação de uma lanchonete. O principal questionamento dos vizinhos é sobre a legalidade da instalação de uma empresa comercial, alugando um espaço dentro de um terreno público. A Ceuel foi cedida, há cerca de 25 anos, em regime de comodato pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) com objetivo de abrigar estudantes carentes, regularmente matriculados nos cursos da universidade.
Segundo um dos reclamantes, que preferiu não se identificar, os estudantes estão dispondo de um terreno que não é deles para alugar a outros, estranhos à entidade. Que eu saiba, eles têm um contrato com a UEL para morar aqui. Não para construir nada ou destruir algo do patrimônio que já existe, como fizeram com parte do muro deste terreno, observou.
Para ele, a obra pode vir a prejudicar muito o comércio da região. E se acontece um problema aqui, algo que fuja ao controle? Quem vai responder por ele, o estudante que mora em Corumbá?, reclamou. De acordo com ele, a UEL não está sabendo da locação do terreno. Ligar para lá várias vezes e ninguém está a par do que está acontecendo, afirmou.
Segundo o provedor da Ceuel, Eberson Gonçalves, 22 anos, o contrato de comodato entre a entidade e a Universidade dá a Ceuel autonomia para que a diretoria da casa tome decisões do tipo. A mesma autonomia que diz que a UEL não tem que suprir financeiramente isto aqui, nos dá poderes de decisão para buscar soluções para manter a Casa em pé, afirmou.
Para Gonçalves, a diretoria da Ceuel não fez nada de errado. O que fizemos foi pegar uma parte ociosa do terreno - que só estava juntando mato - e fazê-la render um dinheirinho para manter a casa, explicou. Segundo ele, desde 1994, a diretoria vinha locando o espaço para outdoor e luminosos. No final de abril, fizemos este contrato de locação por um ano para que pessoa coloque um quiosque imóvel. Qualquer coisa que ele venha a construir será revertido para a casa se a UEL um dia decidir romper o contrato de comodato. A UEL não perde nada, justificou.
Segundo o provedor, o valor deste aluguel - que chega a R$ 300,00 no total, somando o valor pago pelos outdoors e luminosos - é muito importante para a casa. Há dois meses a entidade não tinha dinheiro nem para comprar material de limpeza. Este pessoal que reclama não vê as dificuldades que temos para manter a casa em pé, observou. Gonçalves explicou que, com o primeiro aluguel, já começaram a ser feitas algumas reformas extremamente necessárias na cozinha e na parte elétrica.
Segundo Ludovico Bonato, assessor estudantil da UEL - que dá assistência técnica, política e acadêmica aos alunos da universidade -, a CEUEL têm autonomia para levantamento de fundos. Antigamente, ela promovia as tradicionais cervejadas e a UEL não podia impedir. Isto teve que vir de instância superiores, através da justiça, explicou. Segundo ele, não há nada no estatuto da casa que impeça a locação do espaço assim como também não há nada que diga que pode ser feito. De qualquer maneiro, acho justo já que os poucos recursos que eles conseguem estão sempre aplicando em melhorias no prédio, afirma.
Para Bonato, as denúncias partiram de pessoas que se sentem prejudicadas, embora sem fundamento. Um dos comerciantes que hoje se queixa queria alugar aquele espaço para fazer estacionamento e se sentiu preterido quando alugaram para este quiosque. Este mesmo comerciante queria que a Comurb, de onde sou membro do Conselho Fiscal, retira-se da região todos os carrinhos de cachorro-quente para não prejudicar seu negócio, afirmou.
Procurada pela Folha, a assessoria jurídica da UEL não quis se posicionar enquanto não fizesse um estudo mais aprofundado do caso.





