Escondidos em áreas periféricas, os ''lixões'' e aterros sanitários são hoje um sério problema ambiental para as prefeituras. A reportagem da Folha esteve em três dos 26 depósitos de lixo da região que foram vistoriados pelos fiscais do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e comprovou que a gestão do lixo precisa melhorar, tanto nas pequenas quanto nas grandes localidades.
Em Tamarana (62 km ao sul de Londrina), as quatro mil toneladas de lixo produzidas por dia são dispostas em um terreno na periferia da cidade, muito próximo a um ribeirão e de uma área residencial. O local, usado há pelo menos 20 anos, não é cercado e é grande o número de cães. Segundo alguns moradores, a água de poços perfurados artesanalmente nos quintais não serve para o consumo humano.
O prefeito Paulo Mitio Nakaoka garante que está tentando viabilizar um outro terreno para abrigar o aterro sanitário. Mas para isso precisaria investir cerca de R$ 100 mil, um dinheiro que a prefeitura ainda não dispõe. ''Estamos pedindo ajuda para a Secretaria Estadual do Meio Ambiente'', afirma. Por hora, ele consertou a máquina de esteira que estava quebrada e abriu valas para enterrar o lixo exposto.
No município de Cambé (13 km a oeste de Londrina), que conta com aterro sanitário desde 1997, pelo menos 10 garimpeiros trabalham diariamente no local recolhendo sucata, plástico e papelão. Outro problema grave é a combustão espontânea, que ocorre sempre que o lixo é revolvido. O IAP constatou também que o terreno precisa ser melhor cercado.
O secretário de planejamento do município, Mário Wander Martins Roberto, admite que ''existem dificuldades'' para manter o aterro. Ele diz que a prefeitura está trabalhando em esquema de plantão, nas sextas-feiras e sábados, para cobrir lixo, ''o problema mais emergencial''. Ele também assegura que a prefeitura irá refazer a cerca do aterro. Quanto aos catadores, Roberto lembra que a questão é social e deve ser tratada com cuidado. Segundo ele, são um ou dois grupos que exploram economicamente o aterro. Em Cambé, assim como em Tamarana, ainda não existe coleta seletiva do lixo.
Já em Ibiporã (14 km a leste de Londrina), a coleta seletiva implantada em setembro do ano passado já atinge 25% da cidade, afirma o diretor de Meio Ambiente, Amauri Bianchini. No aterro sanitário funcionam o único incinerador de resíduo hospitalar da região e uma usina de reciclagem, mas a prefeitura precisa melhorar as etapas de seleção do material, o envelopamento do lixo e fazer a compostagem do material orgânico. O volume de lixo produzido por dia em Ibiporã passa das 30 toneladas.
De acordo com Bianchini, a prefeitura está implantando um novo aterro, com vida útil de 13 anos. Quanto ao problema no selecionamento dos resíduos e na compostagem, o diretor aponta que eles existem por um problema mecânico em um equipamento que faz parte do processo e por falta de mão-de-obra. Ele antecipa que a prefeitura deverá contratar novos funcionários para trabalharem na usina até o final de junho.

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