Lixo volta para o Ribeirão Quati
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 24 de julho de 2002
Phoenix Finardi<br> Reportagem Local 
Um mutirão realizado em junho pelos moradores dos jardins Paulista, Fortaleza e Cantinho do Céu (zona norte de Londrina) para limpeza do Ribeirão Quati acabou sendo em vão. Todo o lixo recolhido pela comunidade acabou voltando para o ribeirão porque a prefeitura demorou para buscar o material.
O problema ocorreu porque as chuvas desta semana encheram a represa e o lixo, que já havia sido recolhido, voltou a ficar todo espalhado. '' É muito descaso. Nós cumprimos nossa parte e a Secretaria do Meio Ambiente não fez o combinado. Perdemos grande parte do nosso trabalho'', diz Reinaldo Rodrigues, presidente da Associação de Moradores do Jardim Paulista e Fortaleza, mostrando as garrafas de plástico, entulhos e latas vazias que tinham sido empilhadas e agora ficaram novamente espalhadas pela represa.
O mutirão foi feito no dia 15 de junho. Voluntários dos três bairros roçaram o mato nas margens do Quati, limparam o lixo e recolheram o entulho que se espalhava pela barragem da represa, que fica dentro de um frigorífico. A Secretaria do Meio Ambiente (Sema) trouxe foices e prometeu voltar para buscar o lixo recolhido pelos moradores. Na época, o secretário do meio ambiente, João Mendonça, disse também que seria feita a revitalização das margens da represa, com o plantio de árvores nativas, recuperando o local para servir de área de lazer. No entanto, os funcionários da Sema não retornaram mais ao local depois do mutirão.
O acúmulo de lixo na barragem da represa preocupa principalmente os moradores da favela Cantinho do Céu, que vivem nas margens do Ribeirão Quati ao lado da barragem. Toda vez que chove a barragem enche rapidamente e a água sobe quase até transbordar: ''O pessoal tem medo de acordar um dia desses com o estouro da barragem e a água levando tudo embora. Se acontecer isso, certamente vai morrer gente afogada'', afirma Reinaldo. Ele também pede providências do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) já que a associação vem há tempos denunciando o aparecimento de peixes mortos e a presença de óleo diesel na água.


