Lixo tóxico será incinerado em 3 meses
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 18 de agosto de 1998
Áureo Nogueira 
Em no máximo três meses, o lixo agrotóxico depositado na área da Colônia Penal Agrícola de Tamarana (62 km ao sul de Londrina) será retirado e incinerado. A informação é do diretor-presidente da Superintendência de Desenvolvimento dos Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Suderhsa), Nicolau Imthon Kluppel. A Suderhsa e a Bayer do Brasil assinam hoje, às 9 horas, em Curitiba, contrato para a retirada e incineração de 1.200 toneladas de agrotóxicos depositados em Tamarana.
De acordo com Nicolau Kluppel, o transporte e a incineração do lixo agrotóxico vai custar R$ 2,4 milhões, sendo R$ 1,7 mi (70%) do próprio Estado e R$ 700 mil (30%) do Sindicato Nacional das Indústrias de Agrotóxicos. O transporte das 1.200 toneladas de lixo deve ser iniciado já nos próximos dias. Tanto o transporte quanto a incineração, a ser realizada no Rio de Janeiro, devem atender a todas as normas ambientais. A retirada e o transporte serão controlados por técnicos da própria Suderhsa e do Instituto Ambiental do Paraná (Iap), órgãos da Secretaria do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos.
A incineração é considerada o meio mais eficiente para acabar com o lixo agrotóxico sem agredir o meio ambiente ou causar danos à saúde, destaca Kluppel, acrescentando que somente depois de uma rigorosa vistoria no depósito e nas imediações será possível decidir a destinação dos galpões de Tamarana.
Os galpões que serviram de depósito de agrotóxico foram construídos para abrigar um presídio. Mas a Secretaria Estadual da Agricultura utilizou o espaço para depositar agrotóxicos apreendidos em todo o Estado nas décadas dos 70 e 80.
A maior parte das 1.200 toneladas de agrotóxicos é de BHC e outras marcas de produtos clorados, cuja utilização no Paraná foi proibida em 1985. Há também produtos apreendidos por irregularidades como erros de formulação ou falsificação.
Kluppel destaca, ainda, que o convênio com o Sindicato Nacional das Indústrias de Agrotóxicos vai viabilizar a construção de 62 barracões e o treinamento de pessoal para a triagem de embalagens de produtos agrotóxicos utilizados em todo o Estado. Ele adianta que os dez primeiros barracões devem estar em funcionamento em, no máximo, três meses.
Os primeiros serão instalados em Morretes, Colombo, Ponta Grossa, São Mateus do Sul, Prudentópolis, Maringá, Tuneiras do Oeste, Umuarama, Cascavel e Renascença. Vamos aproveitar os primeiros barracões para treinar o pessoal e avaliar o trabalho de triagem, diz Kluppel, explicando que a triagem vai separar as embalagens que passarem pela tríplice lavagem.
De acordo com o presidente da Suderhsa, as embalagens que forem lavadas três vezes poderão ser recicladas. Já as que não passarem por esse processo terão, necessariamente, de ser incineradas. Os barracões vão possibilitar um espaço adequado para os agricultores encaminharem as embalagens dos produtos utilizados, acabando assim com a necessidade de enterrá-las na propriedade ou, até, lançá-las nos rios, detalha Kluppel, pedindo aos agricultores que façam a tríplice lavagem.


