Lixo tóxico é preparado para remoção
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quarta-feira, 16 de setembro de 1998
Osmani Costa 
A equipe de funcionários da empresa WPA Engenharia, de São Paulo, começou ontem a preparação e embalagem das 1.200 toneladas de agrotóxicos estocados dede 1987 nos dois prédios que seriam destinados à Colônia Penal Agrícola de Tamarana (área localizada a 76 km ao sul de Londrina). O lixo tóxico será transportado em caminhões, a partir da próxima semana, ao Rio de Janeiro (RJ), onde será incinerado pela Bayer do Brasil.
Ontem, os 10 trabalhadores e um técnico em segurança no trabalho - contratados em Tamarana e Londrina - gastaram o primeiro dia de serviço bombeando todo o veneno líquido dos velhos e estragados tambores para 80 novos recipientes com capacidade de armazenar 200 litros cada. Os 16 mil litros de agrotóxicos líquidos farão parte da primeira carga a ser transportada à capital carioca.
Marcos BorgesO engenheiro Fernandes, que coordena a operação: Sempre há riscoA operação de embalagem e transporte do lixo tóxico ao RJ demorará três meses, e está sendo coordenada pelo engenheiro químico Paulo Fernandes, um dos sócios-proprietários da WPA. Nos galpões que estocam os venenos - na maioria DDT, BHH e aldrin, proibidos deste 1987 -, o trabalho está sendo realizado sob supervisão do técnico em segurança Márcio Rodrigues Saldeira.
Os trabalhadores entram nos galpões com todo equipamento de segurança necessário: máscara com filtro de carvão ativado, luvas e botas de borracha, e macação plástico. Risco sempre existe, neste tipo de operação. Mas quando usamos todos os equipamentos e seguimos as normas de segurança, o perigo de um acidente ou contaminação é bastante reduzido, afirma Saldeira.
De acordo com Paulo Fernandes, a operação de transporte - através de trajeto previamente aprovado pelo Ibama, e que não passa por dentro de São Paulo e grandes cidades - exigirá cerca de 50 viagens em caminhões que levaram cerca de 25 toneladas de cada vez. O material está em boas condições para acondicionamento e transporte. Teremos condições de realizar a operação nos três meses previstos, comenta o engenheiro.
Ele adianta que o primeiro caminhão carregado partirá de Tamarana em direção ao Rio de Janeiro na segunda ou terça-feira próxima, assim que os 3,6 km de estrada de terra entre a ex-Côlonia Penal e a rodovia PR-445 (Celso Garcia Cid) sejam alargados e cascalhados pela prefeitura de Tamarana. Nas condições atuais, um caminhão pesando cerca de 50 toneladas não consegue sair daqui, observa Fernandes.
A operação de retirada, transporte e queima do lixo tóxico custará perto de R$ 2,4 milhões, dos quais 70% serão custeados pelo governo e 30% pela Associação Nacional das Indústrias de Defensivos Agrícolas. A WPA foi contratada para realizar a retirada e transporte pela Bayer do Brasil, que venceu licitação pública para incinerar o produto. A prefeitura de Tamarana pretende instalar uma escola agrícola no local.


