Lixo tóxico de Tamarana começa a ser incinerado
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quarta-feira, 04 de novembro de 1998
Da Redação 
O incinerador rotativo da indústria Bayer, instalado em Belford Roxo (RJ), começou a queimar ontem o lixo tóxico que está sendo retirado há mais de um mês dos galpões de onde seria a Colônia Penal Agrícola de Tamarana (62 km ao sul de Londrina). No total, cerca de 1.200 toneladas de produtos químicos não utilizados pelos agricultores do Paraná - e hoje proibidos por lei - serão transportados ao Rio de Janeiro para incineração até o fim do ano.
A convite da Bayer, estiveram em Belford Roxo para acompanhar o início da queima do lixo tóxico a promotora de Defesa do Meio ambiente de Londrina, Maria Lúcia Ferreira Reichenbach (foto), a secretária do Meio Ambiente de Tamarana, Maria Zanata, e técnicos das secretarias estaduais da Agricultura e do Meio ambiente e Recursos Hídricos.
O equipamento destrói 40 quilos do produto a cada dois minutos. A incineração completa demorará seis meses. A Bayer venceu concorrência pública e receberá R$ 2,4 milhões pelo serviço, aí incluídos a retirada, o transporte e a incineração do material tóxico. Deste total, 70% estão sendo pagos pelo governo do Paraná e 30% pelo sindicato nacional das indústrias que fabricam agrotóxicos.
O depósito do lixo tóxico em Tamarana - em prédios inacabados do que seria uma Colônia Penal - começou a ser utilizado em 1987, como uma solução temporária encontrada pelo governo estadual para o problema que atingia várias cidades do Paraná. No local foram sendo guardados BHC, DDT, aldryn e outras marcas de agrotóxicos clorados que tiveram sua produção e uso proibidos a partir de 85, porque eram nocivos à saúde humana, animal e ao meio ambiente.
Depois de 11 anos, a incineração foi a solução encontrada a partir de uma negociação, mediada pela promotora de Defesa do Meio Ambiente de Londrina, entre o Governo do Paraná, a Prefeitura de Tamarana e o sindicato nacional das indústrias produtoras de agrotóxicos, entre elas a própria Bayer. O incinerador que está sendo utilizado em Belford Roxo, em operação desde 92, tem a capacidade para queimar 3.200 toneladas de lixo tóxico - entre sólidos, líquidos e pastosos - por ano.
O sistema de combustão é composto de um forno rotativo e de uma câmara de pós-combustão. Segundo informações da Bayer, os gases da queima são resfriados, passam por duas torres de lavagem, e só então são soltos na atmosfera sem qualquer impureza, de acordo com padrões internacionais de preservação do meio ambiente.
A Prefeitura de Tamarana planeja colocar em funcionamento uma escola técnica agrícola nos prédios que estarão livres do lixo tóxico a partir do próximo ano; e já iniciou negociação com a Secretaria Estadual de Educação neste sentido.


