Eles são os "vizinhos" que ninguém gostaria de ter ao lado ou em frente. São calçadas e terrenos públicos que, durante anos, vêm acumulando lixo no entorno de instituições de ensino e incomodado moradores e a comunidade escolar em várias regiões de Londrina. Resultado da falta de educação e conscientização de moradores e de fiscalização.
"Despejam eletrodomésticos quebrados, caixas de leite, garrafas pet, entulhos de construção, pedaços de colchão e até sofá. Eu mesmo já presenciei várias vezes as pessoas jogando" conta a analista de crédito Suellen Garcia, que há 10 anos é moradora do Conjunto Semíramis e passa semanalmente ao lado de um extenso terreno público, repleto de móveis, rejeitos e entulhos de construção, localizado na Rua Abílio Justiniano de Queiroz, no Conjunto João Paz (zona norte). O lote fica quase em frente à Escola Municipal Aristeu dos Santos Ribas.
"Acho que falta uma fiscalização maior do poder público. As pessoas não respeitam e se não são cobradas se sentem no direito de jogar lixo onde quiser. Falta muita conscientização ambiental e enquanto não fizerem mais campanhas educativas, vai continuar assim", afirma Suellen.
A dona de casa Denise Fonseca acrescenta que com o acúmulo de lixo no terreno bem em frente à sua casa não teve outra alternativa a não ser proibir o filho Felipe Afonso, de 11 anos,de jogar bola e soltar pipas com os amigos no gramado. "É ruim ter que proibi-lo, porque as crianças aqui não têm muitas opções de lugares para brincar, mas é melhor fazer isso do que ele acabar cortando os pés em algum caco de vidro ou mesmo ser contaminado por causa do lixo", justifica.
Denise é moradora do bairro há seis anos e detalha que essa não é a primeira vez que o acúmulo de lixo no terreno preocupa os moradores. "Alguns pessoas recolhem e dali um mês mais ou menos está tudo igual. O povo não respeita", diz.

Às moscas
O descaso continua ali próximo. A dona de casa Márcia Regina Bueno conta que a filha Giovana, de 12 anos, passa por um terreno abandonado para chegar até o Colégio Estadual Olympia de Morais Tormenta, localizado na Rua Rudolf Keihold, Conjunto João Paz. "Isso aqui está às moscas, com lixo, mato alto e a gente nunca sabe o que pode acontecer. Sempre peço para ela tomar muito cuidado", salienta.
A reportagem visitou também o Colégio Estadual Professora Udedulha de Oliveira, na Rua Júlio Farináceo, no Conjunto Luiz de Sá , também na zona norte, onde a comunidade escolar reclama constantemente do acúmulo de lixo no calçamento localizado ao lado e no terreno baldio nosd fundos. Uma equipe da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) realizava o trabalho de limpeza.
"Hoje eles estão limpando, mas se voltar aqui daqui um mês está tudo do mesmo jeito. As pessoas não respeitam, acho que se houvesse mais fiscalização e campanhas educativas, o problema já estaria resolvido", opina o diretor do colégio, Air Inácio de Lima.

Fogo
Do outro lado da cidade, no fim da Rua Giuseppe Vittori, Conjunto São Lourenço (zona sul), o cenário é mesmo. O acúmulo de lixo no terreno localizado na Rua Delegado Matias Sampaio destoa completamente do gramado bem cuidado que rodeia o Colégio Estadual Professora Vani Ruiz Viessi.
São galhos de árvore, caixas de isopor, restos de roupas, além de outros objetos queimados. Carlos Eduardo Chagas, de 11 anos, aluno da Escola Municipal Eugênio Brugin, também localizada ao lado do terreno baldio, revela que é comum os próprios moradores despejarem o lixo no mato e depois atearem fogo. Segundo ele, a fumaça toma conta de todo o prédio escolar. "A gente nem consegue respirar direito, tem que tampar o rosto com um paninho e depois lavar o nariz. Uma sensação horrível", lembra o menino, que mora em frente à escola,
A dona de casa Irene Pinto de Souza, mãe de Carlos Eduardo, conta que já foram várias as vezes que o menino reclamou do problema, mas que se sente de mãos atadas. "Eu sofro ao ver meu filho e outras crianças passando por isso, mas não tem o que a gente fazer. Só mesmo pedir para que a prefeitura faça alguma coisa", completa.

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