Israel Reinstein
De Curitiba
Curitiba completa hoje dez anos do programa ‘Lixo que não é lixo’, apresentando resultados positivos e pontos a serem melhorados. Durante este período, a coleta seletiva possibilitou uma vida útil maior ao aterro sanitário do Caximba e evitou o corte de 770,6 mil árvores. Além disso, criou um mercado do lixo, que vem conseguindo economizar matéria-prima e gerar emprego.
Mas agora o Lixo que não é lixo, lançado em 1989, chega a saturação. Alguns materiais coletados, como plásticos e papel com alumínio, não são reaproveitados e continuam indo ao aterro. Outra crítica ao programa, feita por ambientalistas, é que o volume coletado de material reciclado fica aquém da estrutura montada para recolhê-lo – apenas 20% do lixo doméstico. Pesa também contra o programa a falta de uma educação ambiental mais efetiva, que envolva melhor a sociedade.
‘‘O que se fez até agora foi um condicionamento, um treinamento, mas não se procurou estabelecer uma ação de mudança de hábitos’’, critica a ambientalista Teresa Urban, do Fórum Pró-Conservação da Natureza. Segundo ela, grande parte da população de Curitiba não separa o lixo. ‘‘Dificilmente, na casa onde a dona de casa trabalha fora, que é grande parte da classe média, as pessoas separam o material’’, afirma.
No entanto, o diretor de limpeza pública da prefeitura, Nelson Xavier Paes, não entende assim. ‘‘Quem vivencia a coleta, verifica que o volume de lixo reciclável produzido na cidade atinge escala de primeiro mundo’’, afirma, acrescentando que no Japão o cidadão produz 2 quilos, contra 1,14 quilo na capital. Para ele, o volume obtido nas áreas centrais e na periferia é proporcionalmente igual. Apesar disso, Paes admite que, atualmente, 19,73% da população de Curitiba participa da coleta diferenciada, mesmo com caminhões percorrendo 100% dos bairros.
O diretor de limpeza pública entende que esse percentual vem crescendo. No primeiro ano, a coleta anual foi de 5,2 mil toneladas e no ano passado alcançou 17,5 mil toneladas. ‘‘Mas o programa poderia crescer mais, com a adoção de coleta separada em plásticos de cores diferentes’’, sugere o ambientalista Miguel Jorge Spikula, do grupo Amigos das Águas.
Spikula, que trabalha em um depósito de lixo reciclável, entende que a prefeitura poderia distribuir esses plásticos. ‘‘Assim, o material que não é reciclável sairia dos caminhões de coleta da prefeitura’’, diz a ambientalista Teresa Urban. Hoje 10% do que os caminhões da prefeitura levam aos depósitos é dado, pelo próprio município, como rejeito, em função de ter lixo orgânico ou outro material não reaproveitado.Programa serviu de exemplo para o País por ajudar a preservar meio ambiente, mas começa a apresentar sinais de saturação
Mauro FrassonEmpresas do setorDepósitos de lixo registrados na Secretaria Municipal do Meio Ambiente somam 24, mas sabe-se que o número é bem maior e que a maioria trabalha de forma cladestina. Levantamento da prefeitura quer organizar atividade

mockup