Lixo pode ser mais nocivo do que se pensa
PUBLICAÇÃO
sábado, 08 de agosto de 1998
Andrea Vendramini 
Pilhas, baterias de telefone celular, lâmpadas fluorescentes e outros produtos jogados no lixo doméstico todos os dias podem comprometer o meio ambiente. O problema é agravado pela desinformação, já que muitas pessoas sequer sabem que a destinação inadequada de produtos usados no dia-a-dia pode causar contaminação. Segundo o engenheiro de materiais Marcelo Gomes Ferreira, gerente da Unidade de Valorização de Rejeitos - usina municipal de reciclagem - o ideal seria que o lixo perigoso retornasse ao fabricante, que nos Estados Unidos e em países europeus é o responsável legal pela destinação dos materiais.
Enquanto isso não acontece - não existe estrutura no Brasil ou no Estado para que o lixo considerado perigoso volte para as empresas produtoras - esses materiais são jogados normalmente nos lixos residenciais. Ferreira explica que, apesar de ser pequena, a quantidade deste tipo de produto que chega à usina pode causar muitos prejuízos. É como uma bomba. O volume é pequeno, mas pode causar grandes estragos, disse. A Unidade de Valorização de Rejeitos, que funciona no município de Campo Magro, na região metropolitana de Curitiba, recebe 40% do lixo reciclável gerado na grande Curitiba - cerca de 600 toneladas por mês. Segundo Ferreira, o volume de lixo perigoso não chega a 1%.
Ferreira explica que, atualmente, os materiais que podem contaminar o meio ambiente são enviados para o Aterro Central da Caximba, onde são confinados. Existe o risco de contaminação, mas é pequeno, afirma, porque o aterro sanitário - diferente de um lixão - é projetado para evitar acidentes ambientais. O solo do local é impermeabilizado com argila e polietileno, os gases são incinerados e os líquidos drenados para tratamento em lagoas.
Segundo o gerente de Coleta e Destinação Final da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Luiz Celso Coelho da Silva, o código de postura que rege a destinação ainda é de 1956 e fica mais defasado a cada dia, porque o tipo de lixo produzido, mesmo o doméstico, é diferente daquele criado há uma ou duas décadas.
O ideal, diz, seria que materiais como latas de tinta e aerosol tivessem um tratamento diferenciado, mas hoje não existe legislação que determine a destinação adequada. Hoje os materiais considerados perigosos são integrados ao lixo doméstico, diz.
Riscos - Apesar deste tipo de lixo não ser adequadamente dispensado, Silva afirma que a quantidade é insignificante diante da coleta total - 2,5 toneladas por dia na grande Curitiba. E, por isso, ainda não compromete o meio ambiente ou a saúde da população. As avaliações feitas nos nossos depósitos mostram que hoje existem apenas traços de metais pesados nestes locais.
Uma legislação municipal sobre o destino do lixo perigoso, em fase de elaboração, deve estar vigorando até o ano 2000. A intenção é criar postos de entrega para que esses materiais sejam descartados com segurança.


