Lixo orgânico transformado em adubo
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quarta-feira, 08 de setembro de 2010
Fernanda Carreira<br>Reportagem Local 
Pequenos produtores, moradores e a comunidade escolar podem fazer uma economia considerável quando o assunto é a utilização de adubo. Por meio do processo de compostagem é possível destinar as sobras de alimentos para a produção de fertilizantes orgânicos. Além de não oferecer riscos à saúde, esses adubos garantem alimentos mais saudáveis.
Foi exatamente com o objetivo de utilizar as sobras de alimentos da cantina, como arroz, hortaliças e frutas, e ensinar aos alunos a importância do reaproveitamento de resíduos, que o professor Odenir Viegas Junior implantou o projeto ''Água Educação'', na Escola Municipal Luis Marques Castelo, no patrimônio do Espírito Santo (Zona Sul de Londrina). As atividades começaram no início do ano.
Antes de iniciar o trabalho de compostagem, o professor conta que faz as crianças pesquisarem sobre as propriedades de cada legume e verdura. Depois de aprenderem sobre os nutrientes, os alunos partem para a atividade prática: colocam uniformes e chapéus de palha para mexer na hortinha e nas composteiras, que têm cerca de três metros por um metro.
''Os alunos participam de todo o processo de compostagem, além disso, eles plantam e colhem verduras e legumes, como beterraba, cenoura, couve, alface e rabanete'', comenta.
De acordo com Viegas, o lixo orgânico passa por três estágios de decomposição na composteira. Em cada um desses estágios, o lixo fica em pilhas, localizadas em divisórias, por cerca de 20 dias. Após passar pelo terceiro estágio, o lixo já está transformado em fertilizante e pode ser utilizado imediatamente na horta ou então ser armazenado.
Segundo o professor, além de consumirem os alimentos produzidos na horta, os alunos aprenderam também a comercializar o que não é aproveitado na escola. ''Eles embalam as hortaliças, que eu levo para comercializar na própria comunidade. Com o dinheiro arrecadado, nós compramos materiais didáticos'', informa.
Ele complementa que, do total de lixo produzido na escola, 80% são materiais sólidos que podem ser reciclados; 10% são orgânicos que vão para a composteira e somente 10% vão para o lixo comum.
De acordo com o professor Célio Camilo, da Secretaria Municipal de Educação, supervisor do projeto das composteiras, o objetivo é estender a atividade para as 66 escolas municipais da cidade. Ele explica que a iniciativa é resultado de uma parceria entre a Universidade Estadual de Londrina (UEL), as secretarias municipais de Meio Ambiente e da Agricultura e Abastecimento e a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU).
Entusiasmo
Participam do projeto 150 alunos do terceiro e do quarto ano do Ensino Fundamental. Entre eles, Edivania Alves dos Santos, da quarta série, que está no projeto desde o início. ''Eu acho muito legal porque a gente aprende a fazer adubo, a plantar verduras. Eu até já ensinei meu pai a fazer uma hortinha em casa'', conta.
Para Sara Vidal dos Santos, também da quarta série, a experiência tem sido muito interessante. ''É muito divertido, ainda mais quando eu pego aquela terra cheia de minhocas'', diz. ''É muito legal esse processo de compostagem. Nós levamos adubo da composteira para hortinha da minha casa'', acrescenta Fabiano Gonçalves, da quarta série.


