Lixo incomoda vizinhos no Cafezal I
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terça-feira, 06 de março de 2007
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Mau cheiro, lixo espalhado na calçada, barulho de galinha ciscando no quintal, muita mosca, barata e rato. Os vizinhos de uma casa da Rua Sinval da Silva Pedra, no Conjunto Cafezal I, Zona Sul de Londrina, não aguentam mais a sujeira produzida pela moradora.
A vizinha da frente, Maria da Penha Kazumi Komaki Fujikawa, contou que no último sábado as visitas que vieram jantar na casa dela recusaram-se a comer porque não conseguiam engolir os alimentos. ''O cheiro era tão forte que atrapalhou meu jantar. Fiquei morrendo de vergonha'', desabafou.
Ela acredita que a falta de limpeza da vizinha tem contribuído para a infestação de insetos e ratazanas que tomou conta da rua. ''Já fui até internada na Santa Casa por causa de uma dengue. Tive sorte de não ter sido a hemorrágica'', confessou.
''Já reclamamos na Vigilância Sanitária e eles até vistoriaram a casa. Deram uma multa e levaram os bichos embora, mas dez dias depois ela começou tudo de novo'', recordou Maria da Penha, ressaltando que agora a vizinha também resolveu trabalhar com reciclagem e por isso fica fora de casa o dia inteiro, ''catando papel, papelão e garrafas pet pelas ruas''.
''Ela já chegou a criar, além das galinhas, casais de gansos, marrecos e patos. Para alimentar os bichos, ela aproveita os restos das feiras e sacolões. O que não presta, fica em sacos de lixo, na calçada, que nem o lixeiro tem recolhido mais, de tão nojento'', assinalou Maria da Penha.
Segundo ela, todos os vizinhos já reclamaram diretamente com a mulher mas o alerta foi em vão. ''Ela só grita e xinga a gente'', disse a moradora Clari da Silva, lembrando que a bagunça começou há dois anos. ''Ela mora aqui desde o início do conjunto e nunca foi assim antes.''
Antônio Vitorino, filho de Aldenora Maria da Silva, que também mora em frente à casa em questão, não come direito há dois meses, desde que sofreu um acidente no trabalho. Em recuperação, ele depende de cadeira de rodas para se locomover. ''Ao meio dia, quando o sol incide sobre o lixo, o cheiro é insuportável, não dá para comer'', reclamou.
De acordo com o coordenador de saneamento da Vigilância Sanitária em Londrina, Moacir Gimenez Teodoro, o artigo 65 da lei municipal 4607, de 1990, proíbe terminantemente a criação de animais em perímetro urbano. ''A infração é passível de multa, que pode chegar a R$ 2 mil em casos mais graves'', disse.
As criações são liberadas somente na zona rural, ''mas desde que não incomodem as propriedades vizinhas'', reforçou Teodoro. Segundo ele, a legislação permite apenas a criação de cães e gatos na cidade, ''pois são considerados animais domésticos. Mas a lei também não especifica uma quantidade limite de cães e gatos'', afirmou Teodoro.
Conforme ele explicou, o melhor a fazer em casos como o do Conjunto Cafezal I é acionar a Vigilância Sanitária. ''Os fiscais fazem a vistoria e, constatada a infração, aplicam a multa e recolhem os animais. Mas se a família se comprometer a resolver o problema, recebe apenas uma advertência.''
Ainda segundo o coordenador, o setor registra, em média, dez reclamações por dia. Com oito fiscais, que também são responsáveis pela liberação de licenças sanitárias para estabelecimentos comerciais, a Vigilância Sanitária procura atender os casos prioritários.
''Em média são resolvidas até cinco reclamações diárias. Depois de feito o protocolo, a espera é de, no mínimo, dez dias para a visita dos fiscais'', calculou Teodoro, informando que desde janeiro deste ano, o setor já registrou 200 reclamações. ''Ainda não temos um lugar aonde levar os animais e a Sema só recolhe animais de grande porte, como bois e cavalos'', assinalou o coordenador.
Não havia ninguém na casa mencionada, apenas uma placa no portão, informando sobre o aluguel de uma residência. A reportagem tentou entrar em contato com a moradora, pelos telefones anunciados na placa, mas não obteve resposta.


