Em busca de solução para o problema da incineração de lixo hospitalar em Curitiba, representantes dos órgãos envolvidos no processo de coleta e queima destes resíduos estiveram reunidos ontem na Matriz da Rua da Cidadania.
Iniciada em 1994, a incineração do lixo hospitalar, segundo os ambientalistas, estaria descumprindo todas as recomendações do chamado Rima - o Relatório de Impacto do Meio Ambiente. A teoria é rebatida com estudos e pesquisas feitos pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e pelos próprios hospitais onde são queimadas 25 toneladas diárias.
‘‘Nós já temos duas ações no Tribunal de Justiça tentando impedir a incineração em área urbana’’, explica Sérgio Luiz Cordoni, promotor de justiça da Promotoria de Proteção ao Meio Ambiente. ‘‘As ações são uma cautelar inominada de 96 que visava a proibição do licenciamento e da licitação dos incineradores, e que hoje está em grau de recurso no TJ, e outra deste ano, que é uma ação civil pública pedindo a proibição do uso dos incineradores. O único problema é que elas foram revistas pelo juiz, a pedido do Município e ainda não há uma decisão’’.
A queima é feita em sete pontos da cidade, a maioria deles pátios de hospitais. Segundo a Secretaria de Meio Ambiente, a incineração segue todas as normas do Rima, inclusive a que mais preocupa os ambientalistas do Grupo Xama, principal envolvido na discussão, a da emissão de gases tóxicos e poluentes. ‘‘Quando começamos o trabalho, compramos apenas dois caminhões justamente para fazermos todos os testes. Um deles foi o da emissão de dioxinas e furanos, que poderiam realmente causar doenças’’, explica Marilza Dias, diretora do departamento de pesquisa e monitoramento da secretaria. ‘‘O resultado das análises comprovou que o índice era bem abaixo do tolerável, não sendo motivo de preocupação. Acho que não deveríamos ficar discutindo sobre a incineração, mas sim sobre a implantação de um sistema cada vez mais eficiente de tratamento de resíduos hospitalares’’.
A reunião não serviu para que fosse encontrada uma solução para a questão dos incineradores e ainda trouxe novos problemas à tona. Um deles, levantado pelos representantes do Hospital Erasto Gaetner, especializado no tratamento do câncer em Curitiba, foi o dos resíduos proveninetes da quimioterapia. Sem um local adequado para o depósito depois do uso, e sem poderem ser queimados, eles estão sendo acumulados no próprio hospital. A situação só deverá ter uma solução quando for implantada a central de tratamento, proposta como segunda fase do projeto de incineração.
‘‘Estamos estudando várias outras formas de destinação do lixo contaminado’’, explica Marilza Dias. ‘‘Há várias possibilidades, mas todas terão que passar por um estudo de impacto ambiental’’. Uma das opções levantadas durante a reunião foi o uso do chamado sistema de microondas, que trataria dos dejetos por meio de microorganismos.Arquivo FolhaCaminhão incinerador: representantes dos órgãos envolvidos no processo de coleta e queima de resíduos hospitalares não chegam a um acordoVivian de Albuquerque

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