Lixo hospitalar em aterro gera polêmica
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quarta-feira, 10 de julho de 2002
Vânia Moreira<br> Equipe de Folha 
Cafezal do Sul - Uma denúncia de depósito irregular de lixo hospitalar está gerando polêmica em Cafezal do Sul (29 quilômetros a oeste de Umuarama). O funcionário público estadual Adalberto Pereira Borges acusa o município de deixar seringas e agulhas no aterro sanitário e crianças estariam pegando o material para brincar. Borges fotografou o material dentro de um tubo de cimento quinta-feira passada e fez a denúncia ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP). A prefeitura queimou o lixo e registrou queixa contra o denunciante na delegacia de polícia por calúnia e difamação.
Borges diz que não é a primeira vez que encontra lixo hospitalar no aterro. Ele afirma ter denunciado o fato à delegacia de Iporã no final do ano passado e juntou depoimentos de catadores de lixo, os quais afirmavam ter encontrado material hospitalar no aterro e que as crianças pegavam agulhas para brincar de médico. Moradores próximos ao aterro também afirmam já terem visto lixo hospitalar exposto na área.
Segundo o chefe de gabinete da Prefeitura, Marcos Antônio Morin, o material encontrado no tubo de cimento teria sido depositado clandestinamente. De acordo com Morin, a prefeitura também não sabe quem deixou no aterro o material que gerou a denúncia anterior de Borges. ''A gente desconfia que tenha sido colocado lá para comprometer o prefeito Mário Morin'', disse o chefe de gabinete.
Com pouco mais de 4 mil habitantes, Cafezal do Sul não tem hospital. Existe apenas um posto de saúde e uma farmácia na cidade. Segundo Marcos Morin, o lixo contaminado do posto de saúde (seringas e agulhas) é enterrado numa fossa asséptica nos fundos do prédio. O da farmácia é enterrado no aterro. Material de menor risco como algodão, gaze, ampolas e frascos de medicamentos são queimados no tubo próximo ao aterro. Morin informou que a prefeitura vai cercar o aterro para evitar o acesso de catadores de lixo e impedir o depósito de material não autorizado.
O técnico do IAP em Umuarama, Cesídio Orbem, disse ontem que o órgão fiscaliza periodicamente a coleta de lixo em Cafezal, mas nunca encontrou irregularidades graves em relação ao lixo hospitalar. ''O município substituiu o lixão a céu aberto por um aterro controlado, mas ainda precisa fazer ajustes e requerer o licenciamento ambiental''. Segundo Orbem, nenhum tipo de lixo pode ser queimado. ''Vamos exigir que a prefeitura passe a enterrar de imediato todo o material hospitalar'', informou.


