Lixo facilita infestação de escorpiões
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 01 de agosto de 2005
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
Rolândia Acúmulo de lixo em quintais ou terrenos próximos a residências oferece um incômodo maior que o simples mau cheiro. Os restos de alimentos e dejetos atraem insetos e tornam o ambiente propício à infestação de escorpiões, que se alimentam dos pequenos invertebrados. Em Rolândia (25 km a oeste de Londrina), a família da artista teatral Marlene Araújo enfrenta o problema desde dezembro do ano passado.
Em seis meses, já foram capturados seis escorpiões marrons dentro da casa que fica nos fundos do terreno, onde mora a família de uma irmã de Marlene. Com medo dos animais e incomodados com o cheiro provocado pela dedetização realizada recentemente, em mais uma tentativa de eliminar os aracnídeos, o casal e o filho se mudaram para a casa da artista, que fica na frente. ''É um transtorno para todos'', disse ela.
Como o quintal da casa é limpo, ela acredita que os animais migrem de um terreno vizinho, habitado por uma família de catadores de papel. O morador da área, Lindolfo Rodrigues da Silva, disse, entretanto, que nunca observou escorpiões no local. Orientado pela Vigilância Sanitária do município, ele carpiu o terreno na divisa com as outras casas para eliminar a suspeita.
Marlene relatou que entregou alguns animais para análise da Vigilância. ''Não sei se são venenosos'', afirmou. Também limpou o quintal, detetizou a casa e a fossa do terreno. ''Mesmo depois de tudo isso, encontramos mais um (escorpião)'', contou.
Rafael André Ferreira Dias, coordenador da Vigilância Sanitária de Rolândia, informou que o órgão removeu os resíduos do terreno e realizou a dedetização da área. Na sexta-feira, uma empresa passaria veneno embaixo do assoalho de madeira de um dos quartos da casa. ''Como o madeiramento é antigo, é possível que o foco esteja dentro da residência. Com essa ação, acho que o problema será resolvido'', disse.
A farmacêutica Conceição Turini, coordenadora do Centro de Controle de Intoxicações do Hospital Universitário (HU) de Londrina, explicou que os escorpiões não costumam habitar as casas. ''Eles migram para onde há insetos. A multiplicação é muito rápida'', comentou. Por isso, a melhor medida profilática é manter quintais e terrenos baldios limpos.
Dedetização, segundo ela, não costuma resolver infestações de escorpião porque eles detectam a presença de substâncias químicas desfavoráveis e se mudam, podendo inclusive migrar para residências vizinhas. ''A única vantagem é que o veneno mata os insetos''.
Os escorpiões amarelos são os mais perigosos. Entre os marrons, alguns oferecem maior risco de intoxicação, enquanto outras espécies são inofensivas. Em caso de picada, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente. ''Se possível, a vítima deve trazer o escorpião para ser identificado'', ensinou. O tratamento consiste em manter o paciente sob observação por no mínimo seis horas e, se for necessário, ministrar soro específico para acidentes com esses animais.
O principal sintoma da picada é uma dor forte que irradia para todo o membro afetado e demora a passar. Se o aracnídeo tiver potencial tóxico, pode levar a infarto e outras alterações respiratórias e cardíacas. Crianças e idosos correm maior risco de sofrerem complicações decorrentes da picada.
Serviço
O Centro de Controle de Intoxicações do Hospital Universitário (HU) de Londrina atende casos de acidentes com animais venenosos e realiza exames para detectar as espécies. O serviço funciona 24 horas e está disponível para orientações e esclarecimento de dúvidas sobre qualquer tipo de intoxicação, inclusive com produtos químicos. O telefone é (43) 3371-2244.


