Curitiba - As cinco empresas e consórcios classificados pela Comissão Especial de Licitação do Consórcio Intermunicipal para Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos entregam hoje as propostas de preço. O vencedor vai implantar o novo Sistema Integrado de Processamento e Aproveitamento de Resíduos (Sipar) de Curitiba e outros 16 municípios da região metropolitana.
O sistema será responsável por substituir o aterro da Caximba, que está com a capacidade de receber resíduos sólidos esgotada. Entre os selecionados estão os consórcios Recipar -Soluções Ambientais, Paraná Ambiental, Gralha Azul e Pró-Ambiente e a empresa Tibagi e Construções Ltda. O ganhador vai operar o sistema de coleta e armazenamento do lixo na região.
Os envelopes com os preços serão entregues a partir das 14h30, na sede da Secretaria Municipal do Meio Ambiente. A decisão de quem vai administrar o Sipar vai sair de uma equação que leva em conta a melhor nota técnica da licitação, que equivale a 60% da pontuação, e o valor proposto pelas empresas. O custo máximo estipulado pelo Consórcio Intermunicipal é de R$ 73 a tonelada.
As empresas e consórcios foram escolhidos por uma comissão formada por dez técnicos que representam os municípios. Entre os itens avaliados nas propostas das empresas, estão as melhores tecnologias para aproveitamento de resíduos, eficiência e prazos de implantação.
As empresas e consórcios apresentaram propostas como a recuperação de materiais recicláveis, a transformação do lixo orgânico em adubo (compostagem) e em combustível para uso industrial.

Indústria

A intenção do Consórcio Intermunicipal para Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos é que o Sipar seja uma indústria, com o objetivo de transformar em adubo e energia as 2,4 mil toneladas de lixo produzidos por dia em Curitiba e nos outros 16 municípios.
Hoje, todo esse montante de resíduos é depositado na Caximba. A ideia inicial é de que 85% desses resíduos ganhem novo destino. O restante do rejeitos serão tratados em aterro sanitário. Mas eles devem ter um teor baixo de umidade e ser livres de matéria orgânica, não produzindo chorume ou cheiro.

Audiência

O Sipar foi apresentado ontem por Marilza Dias, secretária executiva do Consórcio Intermunicipal, em uma audiência pública realizada no plenário da Assembleia Legislativa do Paraná.
O debate reuniu representantes Ministério Público (MP) estadual, da Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec), do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), do Consórcio Intermunicipal do Lixo, além de deputados e vereadores de municípios da região
metropolitana.
De acordo com Marilza, as empresas e consórcios envolvidos apresentaram diferentes soluções para o problema do lixo. "Quando a Caximba for desativada, temos que apresentar um nova alternativa de destinação dos resíduos", disse Marilza.
Ela afirma também que a formação do consórcio facilita decisões integradas para o problema do lixo.
Já para o procurador do MP Saint-Clair Honorato Santos, o modelo adotado deveria ser o de que cada cidade seja responsável pelo seu lixo. "Só assim os municípios vão se preocupar com o volume de lixo produzido", defendeu.
Para o procurador, fazer parte do consórcio tira a responsabilidade sobre o problema. "Os municípios só pagam a conta da destinação e não se preocupam mais", resumiu.

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