Resíduos sólidos e entulhos são um dos temas a serem abordados na programação de hoje da I Conferência Municipal de Meio Ambiente de Londrina, aberta ontem à noite. José Paulo da Silva da Companhia Municipal de Transporte e Urbanização (CMTU) e o professor Fernando Fernandes da Universidade Estadual de Londrina (UEL) irão discutir o assunto lançando propostas para a Agenda 21.
Serão abordados os problemas enfrentados na área pelo Município e as medidas que estão sendo tomadas em busca de soluções. A principal delas é a implementação da coleta seletiva e reciclagem do lixo. José Paulo cita que na ECO-92, realizada no Rio de Janeiro, quando foi lançada a Agenda 21, a proposta era concentrar propostas para as principais questões ambientais. No quesito lixo, a coleta seletiva foi apontada como a principal forma de diminuir a quantidade de resíduos sólidos sem tratamento lançados no meio ambiente.
Na época, de acordo com ele, esta era uma experiência isolada. Quase 10 anos depois da conferência sobre meio ambiente, ainda são poucos os municípios que implantaram o sistema de seleção e reciclagem do lixo. Dos 5 mil municípios brasileiros apenas 135 contam com o sistema.
De acordo com dados do Compromisso Empresarial Para a Reciclagem (Cempre), Curitiba é a cidade que recicla a maior quantidade de lixo: 1.400 toneladas/mês. Em segundo lugar está Porto Alegre, que recicla 1.250 toneladas/mês e em terceiro lugar estão Salvador e São Paulo com 500 toneladas de resíduos sólidos reciclados mensalmente.
Londrina começou a implementar o serviço há pouco mais de três meses e hoje 25% da cidade é atendida. Diariamente são coletadas 9 toneladas de 138 bairros do centro e adjacências. Segundo José Paulo em dois anos 100% da cidade deverá contar com o serviço.
A maior dificuldade enfrentada hoje, de acordo com ele é a estrutura necessária para a seleção e o acondicionamento do material. José Paulo explica que este problema está sendo resolvido gradativamente através da criação de Ongs de catadores de papel e lixo. Para a implantação da coleta seletiva em toda a cidade é preciso a criação de 15 Ongs.
O trabalho começou a ser feito há pouco mais de um mês e hoje existem oito Ongs agrupando 200 catadores no trabalho de seleção e reciclagem do lixo.
Os catadores começaram a organizar as primeiras Ongs, com apoio da CMTU, em maio. A Fazenda Refúgio serviu de laboratório onde os catadores iniciaram o trabalho. O presidente da CMTU, Wilson Sella afirma que esta é uma fase de aprendizado sobre o que é realmente reciclável; são 30 tipos de lixo, segundo ele. Futuramente serão compradas as máquinas de transformação do lixo em produtos – vassouras ecológicas, roupas, mangueiras, e outros produtos.

NA CONFERÊNCIA AMBIENTAL

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