Lixo é revertido em reforço alimentar
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quarta-feira, 04 de junho de 1997
Paulo Pegoraro Cascavel 
Neuro KrackerTriagemFamílias carentes trocam lixo por comida no barracão do Câmbio Verde. Programa atinge seis bairrosO lixo que algumas pessoas costumam acumular em aterros ou no fundo do quintal está servindo para a educação ambiental e melhoria da condição alimentar e de saúde de grande número de famílias carentes de Toledo (47 quilômetros a oeste de Cascavel), através dos programas Lixo Útil e Câmbio Verde. No Dia Mundial do Meio Ambiente, hoje, os dois programas estão sendo expandidos.
Quatro mil casas e estabelecimentos comerciais, inclusive do centro, estão integrados ao Lixo Útil, iniciado em 1994. A previsão é de que mais 5 mil unidades sejam agregadas. As pessoas fazem a triagem dos materiais e os colocam em caixas especiais entregues pela prefeitura. Um caminhão faz o recolhimento uma vez por semana. O Lixo Útil tem função educativa e de melhoria das condições de higiene.
Outro programa, o Câmbio Verde, foi iniciado em 95 e envolve 1.700 famílias em seis bairros carentes. Deverá ser expandido para cerca de cinco mil famílias. O programa estabelece a troca de recicláveis por alimentos. Segundo Gerte Filipetto, da Coordenadoria Municipal de Meio Ambiente, mensalmente são entregues cerca de 12 toneladas de materiais, separados pela população e levados para as associações de moradores.
Os caminhões fazem a coleta nas associações e levam o material para o Centro de Separação de Materiais Recicláveis, em um barracão no aterro Sanitário (a 8 quilômetros da cidade), onde é feita a triagem final. Empresas que fazem a reciclagem retiram o material no próprio local, pagando em média R$ 60,00 por tonelada de plástico e de papel; R$ 500,00 pela tonelada de alumínio (latinhas) e até R$ 0,10 por garrafa.
A comercialização é feita pela Coordenadoria do Meio Ambiente, que utiliza os recursos para adquirir alimentos trocados com as famílias. Por cada quatro quilos de material entregue, a família recebe uma sacola com produtos básicos (arroz, feijão, ovos, batata).
Segundo Filipetto, os resultados são positivos e até comunidades do interior estão sendo integradas ao programa. A primeira delas é São Luiz do Oeste, a 20 quilômetros da cidade e com 300 famílias. Os maiores ganhos dos programas são para o meio ambiente, acrescenta Filipetto, referindo-se à educação ambiental e ao fato do programa evitar o esgotamento rápido do aterro sanitário.


