Paulo Henrique Faria
De Londrina
Especial para a Folha
A situação dos primeiros 600 metros da estrada de terra que liga o Conjunto Cafezal ao Jamile Dequech (zona sul de Londrina), nas margens do Ribeirão das Águas Claras, não poderia ser pior. A quantidade de entulho, móveis usados, eletrodomésticos e pneus velhos depositados no local, e que acaba tendo o rio como destino, é espantosa. Os moradores da área, cansados de reclamar, solicitaram a presença da Folha em busca de ajuda.
‘‘Quando me mudei para cá, há apenas seis anos, cheguei a tomar banho neste rio’’, conta o oficial de justiça Edson Patriota. ‘‘Hoje não dá para pisar dentro dele nem calçando botas de borracha’’, lamenta Patriota, que tem o rio como divisor de sua propriedade com a do vizinho.
Segundo o oficial, faz três anos que não aparece ninguém para averiguar a situação da área e tem gente que diz que a prefeitura indica o local como depósito de lixo.
Do outro lado da cidade, na favela que fica nos fundos do Conjunto Aquiles Stenghel (zona norte), o problema é o mau cheiro. Da estação de captação de esgoto da Sanepar sai um cano que desvia o esgoto para o Córrego Sem Dúvida. O córrego deságua no Ribeirão Jacutinga, que abastece Ibiporã (14 km a leste de Londrina).
O gerente-regional da unidade de operação da Sanepar em Londrina, Nelson Okano alega que foi um problema que ocorreu apenas este final de semana. Com a chuva, segundo Okano, faltou energia elétrica e o equipamento que faz o bombeamento do esgoto para a estação de tratamento próxima ao Conjunto Lindóia (zona norte), parou. Em função da paralisação da bomba, segundo Okano, o esgoto foi para o Córrego Sem Dúvida. ‘‘Mas a situação já está regularizada’’, garante.
Já os moradores da favela, afirmam que desde que foi instalada a estação – há cerca de um mês –, o esgoto está sendo despejado no córrego. Das treze famílias que vivem no local, todas estão consumindo água contaminada. ‘‘Há mais de quatro meses nós entramos com o pedido de tratamento de esgoto e água’’, disse a moradora Edileusa Carvalho.
A assessoria de imprensa da Companhia Municipal de Urbanismo (Comurb), que responde pelas questões ambientais, informou que ontem seria acionada a fiscalização para verificar os problemas na estação de captação da Sanepar. Já em relação ao Ribeirão das Águas Claras, a Comurb informou que iniciou, há 45 dias, um trabalho de recuperação de fundos de vale, e que a limpeza do lugar depende de tempo. A Folha não conseguiu localizar o chefe regional do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Antônio Carlos Cobo Pires.Na zona sul, às margens de um ribeirão, é o entulho que incomoda; na zona norte, estação da Sanepar polui e causa mau cheiro
Paulo WolfgangCONTAMINAÇÃOCrianças da favela localizada nos fundos do Conjunto Aquiles Stenghel: água contaminada pelo esgotoPaulo WolfgangEdson Patriota e o depósito de lixo às margens de um ribeirãoPaulo WolfgangTubulação por onde sai o esgoto

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