Lixo e entulho por toda a cidade
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terça-feira, 20 de maio de 2008
Marta Ortega<br>Reportagem Local 
Impedidos de depositar o entulho de construção na Pedreira do Jardim Santa Fé e no aterro sanitário (ambos na Zona Leste de Londrina), a população tem buscado alternativas que vêm desagradando moradores de vários bairros da cidade. No Alto da Boa Vista (Zona Norte), os entulhos são despejados à luz do dia, sem nenhuma cerimônia, por carroceiros que não se preocupam em esconder dos moradores do bairro o ato irregular.
Em um terreno entre as ruas André Luis e Leonel Costa, todo o contorno foi tomado pelo lixo. São restos de construção, pedaços de madeira, peças de louça sanitária e muitos galhos de árvores que foram podados e despejados no terreno, que fica próximo a um condomínio fechado, que também está sendo alvo dos carroceiros. São cerca de 500 metros que cercam as duas ruas, totalmente tomadas pelo lixo.
Os moradores do Jardim dos Estados, próximo ao terreno, reclamam dos carroceiros, que iniciam o despejo de lixo no local logo pela manhã. ''Não tem horário definido. Eles vêm de manhã, à tarde, à noite, a qualquer hora'', reclama Antônio Marcos da Silva, que há 15 anos vive no bairro. A casa dele faz fundos com o terreno e da janela é possível ver as constantes infrações. ''Sempre reclamamos para a prefeitura e eles (funcionários) mandam a gente pegar os nomes dos carroceiros. Mas isso não adianta.''
A dona de casa Sônia Bonfadini Ferreira mora no bairro há 18 anos e conta que o depósito de entulho no local tem sido mais frequente nos últimos dias. ''Depois que proibiram jogar lixo na pedreira, passaram a despejar mais vezes aqui'', afirma. Ela conta que muitas pessoas chegam até de carro para fazer o descarte. ''Abrem o porta-mala e despejam o lixo sem se importar com ninguém. Em uma das vezes, meu marido foi conversar com os dois homens e quase apanhou.''
Os moradores contam que já pediram providências à prefeitura, e que depois da limpeza, no dia seguinte, o entulho começa a ser despejado de novo. ''Não adianta limpar. Eles não respeitam e jogam o lixo outra vez'', afirma Sônia.
A situação não é diferente na Avenida Brasília, onde o lixo toma conta do terreno, próximo ao Jardim Oguido (Centro). Galhos de árvores, entulhos, móveis velhos e até peças de computadores e de carros estão jogados na área. Bem perto do ponto de ônibus, que foi praticamente tomado por galhos de árvores, sacos cheios de restos de entulhos foram bem fechados e deixados no local.
Longe dali, no Jardim João Turquino, Zona Oeste, outro ponto de ônibus foi tomado por galhos de árvores podados de residências e de material de construção deixados no local. O lixo toma conta até da rua, que já teve parte tomada por terra misturada a entulho.
Pneus
Enquanto a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), borracheiros, Ministério Público e órgãos ambientais discutem onde poderia ser instalado um ecoponto para recolhimento dos pneus inservíveis, muitos continuam sendo descartados nos terrenos baldios. Na parte baixa do Jardim João Turquino, na entrada de um recanto de chácaras, além da sujeira de lixo, entulho de construção e móveis, os moradores convivem com a fumaça dos pneus que são queimados na área. A reportagem da FOLHA encontrou na manhã de ontem três pontos onde os pneus foram depositados e queimados. Num deles, a fumaça forte ainda se espalhava pela área, provocando também a morte de árvores e da vegetação do terreno.
Em casos como este, segundo o gerente de operações da CMTU, Marcelo Barreto, se configurar o crime ambiental, a multa pode variar de R$ 50 a R$ 1.500, além da punição aplicada de acordo com as leis ambientais. ''O responsável pode responder a inquérito criminal'', afirma Barreto.
Ele afirma que o flagrante é difícil porque os fiscais não conseguem estar em vários locais ao mesmo tempo. A equipe de operações, responsável pela fiscalização de terrenos, tem apenas seis fiscais, que recebem reforço dos agentes fiscalizadores do Código de Posturas, de acordo com a demanda do serviço. ''Quando temos muitas denúncias e os casos são mais graves, deslocamos mais fiscais para o trabalho''. Até 20 funcionários podem trabalhar na fiscalização.
Serviço - As pessoas que flagrarem o despejo de lixo em locais proibidos podem ligar para a CMTU no telefone: 3379-7900


