Londrina- O lixo que emporcalha a área urbana de Londrina agora está sendo despejado também em propriedades rurais. Um caso recente aconteceu no Bairro Limoeiro, na Estrada dos Pioneiros (zona leste). O produtor rural Carlos Alberto de Souza, de 49 anos, encontrou uma pilha de cacos de vidros e pneus de moto usados descartados na fazenda dele.
"O problema é que procurei a Secretaria Municipal do Ambiente, a Polícia Ambiental e a CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) e ninguém quis buscar esse entulho", contou.
Segundo ele, a recomendação que o empresário recebeu da CMTU é que procurasse a Kurica Ambiental, empresa particular que presta esse tipo de serviço. "Mas eu não posso arcar com uma despesa que não fui o responsável por criar. As pessoas têm jogado o lixo em minha propriedade com frequência. Recentemente alguém jogou mais de 80 pneus aqui na minha propriedade rural e ninguém queria recolher. Só depois de muita insistência com a Vigilância Epidemiológica enviaram alguém aqui para evitar que esses pneus se tornassem criadouros do mosquito da dengue", relatou.
Souza destaca que se passasse com a colheitadeira por cima desses vidros correria o risco de estragar o equipamento. "Somente os pneus custam mais de R$ 10 mil cada", apontou. O custo de manutenção de uma colheitadeira também é bastante alto, mas varia de acordo com a peça danificada.
A reportagem encontrou um orçamento impresso com o nome da vidraçaria Nossa Senhora Aparecida e entrou em contato com o proprietário, que afirmou que contratou uma pessoa para fazer o descarte na Kurica Ambiental, o que não aconteceu. O empresário, que não quis se identificar, garantiu que retiraria o entulho do local.
Mas não é só a fazenda de Souza que enfrenta problemas. A reportagem constatou que outras propriedades na região estão servindo como ponto de descarte de entulho e lixo de grande porte. Sofás velhos, destroços de gabinetes de cozinha, entulhos de construção civil e cadeiras quebradas são alguns dos objetos encontrados.
O presidente do Sindicato Rural de Londrina, Narciso Pissinatti, afirmou que esse problema se agravou com o aumento do rigor na fiscalização nos postos de entrega voluntária, os antigos ecopontos. "Muitos pontos de recebimento foram desativados e isso contribuiu para que aumentasse esse tipo de descarte em propriedades rurais. O custo não pode recair sobre os proprietários dessas propriedades rurais. Em Londrina só existe uma empresa habilitada a recolher esse entulho de particulares e o custo é muito alto para ser arcado por nós", ressaltou.
Pissinatti é diretor executivo do Conselho de Sanidade Agropecuária, que envolve entidades públicas e privadas como a Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e órgãos de saúde pública municipal e estadual. Dentro de 15 dias o conselho fará uma reunião no Sindicato Rural Patronal e Pissinatti afirmou que uma das pautas que será colocada em discussão é justamente essa. "Vamos entrar em contato com autoridades e vamos definir de quem é a responsabilidade e a fiscalização."
Segundo a CMTU, o produtor Carlos Alberto Souza não teria especificado que seu terreno ficava em uma área rural quando procurou a autarquia. O gerente de resíduos da CMTU, Gilmar Domingues Pereira, afirmou que a CMTU não é responsável pelo atendimento em áreas rurais e destacou que estabeleceu uma parceria com o IAP para realizar esse tipo de autuação em propriedades rurais.
Segundo Ronaldo Siena, chefe regional do IAP, o instituto teria de identificar quem está levando esses entulhos para lá. "Esse material sai da área urbana e é descartado nas áreas rurais. Temos de identificar quem é o responsável por isso. Nosso fiscal irá ao local e depois que ele apresentar o relatório veremos as medidas a serem adotadas", afirmou Siena. No caso da propriedade de Souza, a fiscalização deverá ser realizada hoje pela manhã.
A CMTU destacou que tem acompanhado casos de geradores de entulho que contratam pessoas para dar destinação correta, mas o material acaba em fundos de vale.

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