Sofás, poltrona, luzes natalinas, bolsas, calotas de carro, pára-choques. Poderia ser uma lista de compras. Ou itens antigos que abarrotariam uma despensa qualquer. Mas são objetos jogados no entorno de um espaço que é, ou deveria ser, um dos cartões postais de Londrina. As ruas e calçadas nos arredores do Parque Arthur Thomas, na Zona Sul da cidade, são uma mostra do resultado da combinação entre abandono do poder público e falta de conscientização da comunidade.
Um giro pelo entorno do parque (de cerca de cinco quilômetros) pode ser rápido. Para a equipe de reportagem da FOLHA, no entanto, que percorreu a área na tarde de segunda-feira, a tarefa demorou pouco mais de uma hora e meia. O motivo foi a decisão de parar e fotografar cada ponto onde o abandono era mais flagrante. E exemplos de falta de cuidado com as áreas públicas não faltaram.
O ponto de partida foi a entrada principal do parque. O local, que dá acesso às sedes da Secretaria Municipal do Meio Ambiente e da Polícia Ambiental, é o mais bem cuidado do entorno. Mas percorrendo o trecho no sentido do Centro da cidade, a paisagem muda.
Ao lado da Via Expressa a cerca de tela está inteira e, naquela tarde, os sacos de folhas colocados ao longo do trecho davam a idéia que a varrição da área havia sido feita recentemente. Porém, no ínício da Avenida Charles Lindenberg começam também os problemas. A poucos metros de distância uns dos outros, acumulam-se na rua e calçadas montes de entulho e lixo. O material despejado na área pública é variado. É possível encontrar de entulho da construção civil a caixas de leite, embalagens de hambúrgueres a máquina de lavar roupa, de pedaços de isopor a garrafas pet com água parada.
O despejo de lixo é difícil de ser flagrado devido à iluminação deficiente de trechos do entorno. Um problema que, de acordo com a dona de casa Marina Victorelli da Silva, 63 anos, se arrasta há pelo menos sete anos. Para ir à casa da filha, que mora a 50 metros de distância, ela precisa usar lanterna.
O primeiro pedido por iluminação pública foi feito quando ela mudou para a Rua Antonio Menegazzo. E até agora o bairro continua às escuras. O problema, segundo ela, é que a penumbra proporciona condições para diferentes tipos de ações ilícitas: ''Depenam carros roubados aqui perto. Tem gente que pára o carro aqui para namorar. Muitos pulam a cerca e entram no parque à noite para usar drogas'', enumerou. A solução encontrada pela comunidade foi combinar de avisar a vizinhança quando todos saírem e a casa ficar sozinha.
A falta de limpeza também é alvo de críticas. Segundo Marina, nos sete anos no local, a varrição da calçada foi feita apenas uma vez. Isto, onde ainda existe calçada. Em certos trechos, o mato já tomou conta e os pedestres são obrigados a disputar espaço com carros e motos na rua.
Outra armadilha é um enorme buraco que ameaça derrubar parte da cerca e engolir a calçada na Rua José Lázaro Gouveia. A erosão tem cerca de oito metros de extensão por 2,5 m de largura e 2,5 m de profundidade. Os pilaretes que deveriam fixar a tela da cerca são seguros por ela e ameaçam desabar a qualquer momento. Mais um obstáculo num local onde as belezas naturais não aparecem, encobertas por problemas e lixo.
De acordo com a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), a limpeza da área é feita a cada 15 ou 20 dias. O diretor de Operações da companhia, Marcelo Barreto, cobrou colaboração da comunidade. ''A única forma de acabar com o lixo jogado é a conscientização de cada um. Até porque os moradores têm coleta em casa e têm que dar o destino adequado ao lixo'', cobrou.
A assessoria de imprensa da Copel informou que nenhuma queixa oficial foi protocolada sobre a iluminação na Rua Antonio Menegazzo. Informou ainda que uma varredura completa seria feita na área dentro do prazo de 48 horas.

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