Lixo doméstico é causa de enchentes
James Alberti
De Curitiba
Milhares de moradores de Curitiba vivem o drama de ter suas casas sob risco de alagamento pelas chuvas de verão por morar próximo a rios e córregos, geralmente entupidos pelo lixo doméstico despejado pela própria população. Somente no bairro Cajuru, considerado um ponto crítico pela prefeitura da capital, 45 mil moradores residem nas margens do Rio Atuba.
Para tentar minimizar os problemas, a prefeitura lança neste mês uma campanha de conscientização. O objetivo é despertar nos moradores próximos aos rios a preocupação com a preservação da natureza, em especial, com os cuidados com o destino correto do lixo, que junto com o assoreamento são os maiores responsáveis pelo entupimento de bueiros e bocas-de-lobo. As pessoas precisam saber que o lixo jogado agora nos rios ou nas bocas-de-lobo é exatamente o mesmo que, nos períodos de chuva, volta na forma de inundação e doenças, afirma o prefeito de Curitiba Cassio Taniguchi.
Paralelamente à campanha, cerca de 450 funcionários municipais continuam a fazer a manutenção da infraestrutura de captação das águas da chuva. Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, são gastos entre R$ 800 mil e R$ 1,3 milhão ao mês na dragagem e limpeza de rios, galerias, valetas e bocas-de-lobo. O valor equivale a 16% do orçamento da Secretaria Municipal de Obras Públicas.
O trabalho de limpeza dos rios esbarra, no entanto, na concentração de residências junto as margens dos rios. Segundo o técnico de obras da prefeitura Davi Frederico Zanon Júnior, responsável por fiscalizar as obras desassoreamento, em inúmeros lugares é impossível fazer os trabalhos, devido a proximidade das casas. Em vários setores da cidade não há como fazer manutenção, diz.
O problema aumenta porque os moradores ainda jogam lixo no local. Ontem a Folha visitou um dos pontos considerados graves, na Cidade Industrial de Curitiba (CIC). Num riacho de menos de dois metros era possível observar latas de tintas, bolsas plásticas, papel, etc. Zanos Júnior afirma, porém, que já foi pior. Antes tinha sofá, geladeira velha, fogão. As pessoas estão mais conscientes.
A redução do sujeira não consola a dona de casa Marli Pinheiro, 35 anos, que mora na casa 11 da Rua João Pinto Corrêia, na Vila Sabará, na CIC. Revoltada, ela culpa os vizinhos das regiões mais altas pelos problemas com as enchentes. A turma lá de cima joga muito lixo e aí tranca aqui, reclama. Falar para eles não adianta mais.





