Um carga de quase três toneladas de resíduos quimioterápicos vem se transformando no maior pesadelo dos hospitais e órgãos ligados ao meio ambiente de Curitiba. Sem ter o que fazer com o lixo hospitalar resultante do tratamento do câncer, os hospitais estão tendo que armazená-lo nos próprios pátios, colocando em risco a situação não só dos pacientes, como dos funcionários e visitantes.
Segundo o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), a resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) é bem clara, ao repassar a responsabilidade pelos resíduos aos produtores deles, ou seja, aos hospitais. O único problema é que a principal forma de descarte que são os fornos incineradores para 1600 graus, só disponíveis em estados como o de São Paulo, o que acaba inviabilizando o tratamento financiado pelas instituições públicas de saúde.
‘‘Fizemos todo um levantamento de quanto sairia para fazer a coleta, o armazenamento, o transporte até São Paulo e a queima. O preço, por quilo, ficou em R$ 11,80’’, explica Laerty Dudas, gerente da divisão de resíduos sólidos, urbanos e de saúde do IAP. ‘‘Seria com certeza a melhor e também uma das únicas soluções. Mas praticamente inviável quando se tem em vista a dificuldade que os próprios hospitais já têm para se manter. Pode até ser responsabilidade deles, mas não temos como fechar os olhos e apenas cobrar para que seja cumprida’’, confessa.
Dos quase setenta hospitais de Curitiba e Região Metropolitana, pelo menos sete apresentam o problema e a solução vem com medidas paliativas como a que foi adotada pelo Hospital Erasto Gaetner. Com uma média de quase 750 atendimentos quimioterápicos realizados por mês, o hospital foi obrigado a construir um depósito nos fundos da propriedade. ‘‘Tudo que vai para lá é embalado em caixas lacradas e identificado como lixo químico-tóxico’’, explica a gerente administrativa, Adir Maria Hofstaetter. ‘‘Tomamos todas as providências para que não haja problemas de contaminação. O que acontece é que quase não temos mais espaço. E não sabemos mais o que fazer com o que está sendo produzido’’, desabafa.
Existente há vários anos, a questão dos quimioterápicos só apareceu recentemente por causa de um trabalho de separação de lixo nos hospitais, solicitado pela Prefeitura. Ela passou a ajudar as instituições, recolhendo os diferentes tipos de lixos em coletas especiais, mas em troca, recebeu de ‘‘brinde’’ o lixo da oncologia. ‘‘Antes era tudo misturado e você não enxergava o problema’’, explica Dudas. ‘‘Ia tudo para o mesmo lixo. Agora temos este novo resíduo para o qual ainda não conseguimos encontrar uma opção acessível tanto aos hospitais, quanto aos órgãos públicos’’, completa.

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