Técnicos da Sanepar devem vistoriar nos próximos dias o aterro sanitário de Londrina, localizado na Estrada do Limoeiro (Zona Leste). A visita é uma preparação da empresa para assumir o serviço, conforme acordo fechado anteontem com a prefeitura, e que viabilizou a renovação do contrato de exploração do serviço de água e esgoto entre a Sanepar e o Município. Negociação idêntica está em andamento no município vizinho de Cambé e a Sanepar afirmou ontem que os serviços podem ser compartilhados entre as duas cidades.
A informação é do gerente metropolitano da Sanepar, Sérgio Balhs. Segundo ele, técnicos já vistoriaram o aterro vizinho e há um projeto de coleta compartilhada para as duas cidades. ''Parte do lixo de Londrina seria levada para Cambé após a reestruturação do aterro de lá. Isso reduziria custos'', argumentou.
Além disso, a Sanepar ganharia tempo para construção do novo aterro de Londrina. ''Poderíamos retardar a discussão e encontrar a melhor saída'', afirmou. Atualmente, a Sanepar já presta esse serviço em Cianorte (80 km a Oeste de Umuarama). Lá a unidade tem sete anos e é considerada projeto-piloto. ''Essa é uma tendência da Sanepar nos próximos anos.'' Segundo ele, técnicos de Cianorte vão treinar funcionários locais para a transição.
O aterro, segundo o presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Wilson Sella, deve expirar sua capacidade em abril de 2005, mas uma nova avaliação foi encomendada pela companhia e os resultados devem ser apresentados na semana que vem. ''Acho que a grande conquista desse acordo foi a questão do lixo'', afirma. O contrato tem uma cláusula prevendo que se a Sanepar for privatizada, o investimento da empresa na cidade passa para o município sem necessidade de indenização.
O investimento para a construção do novo aterro, entre R$ 8 e R$ 10 milhões, será bancado pela empresa, que também se responsabilizará pela administração da unidade desativada. ''O tratamento da lagoa de chorume demora pelo menos 15 anos'', cita Sella. A Sanepar espera assumir o aterro dentro de um mês, quando encerra o contrato de concessão com a atual prestadora, a Paviservice.
Sobre o serviço de abastecimento de água, há pouca coisa certa. Ontem, o prefeito Nedson Micheleti (PT) afirmou que a meta é elevar os índices de cobertura de abastecimento e esgoto para 100%, hoje em 98% e 67% respectivamente. Mas não há prazos agendados nem cronogramas. ''O que ganhamos foi o controle do custo, da tarifa do plano de investimentos e da tarifa social.''
Uma possível redução da tarifa também não está nos planos a curto prazo. ''Estamos no início do processo'', disse Sella. Ainda não se sabe, por exemplo, qual a cota de Londrina nos custos e lucros da Sanepar, que atende uma série de municípios da região. Um plano diretor para o serviço deve ser elaborado para responder essas questões e, segundo Sella, será licitado em breve.
Para colocar o gerencimento misto em prática, o Executivo depende ainda da aprovação de um projeto de lei, que será protolocado amanhã na Câmara, e de audiências públicas.

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