Lixo avança sobre terreno invadido
Lino Ramos
De Londrina
Um lixão em plena área urbana de Londrina está colocando em risco a saúde de moradores do Jardim Monte Cristo, uma invasão localizada na zona leste. De acordo com levantamento feito pela promotoria de Defesa dos Direitos e Garantias Constitucionais, 581 famílias moram no bairro. O lixo acaba atraindo as crianças, que diariamente garimpam os entulhos em busca de brinquedos. O depósito surgiu há mais de um ano em uma valeta no final das datas quatro e cinco e começa a avançar em direção as casas. As famílias dizem que pediram ajuda à Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), mas não houve providências. A falta de coleta de lixo no bairro também contribui para agravar o problema.
A dona de casa Aparecida Sueli dos Santos afirma que pessoas de bairros vizinhos, como o Jardim Santa-Fé e o Interlagos, também jogam lixo no local. Os próprios moradores do Monte Cristo acabam se valendo do local porque a prefeitura não realiza coleta de lixo no bairro. Catadores de papel costumam jogar o material que não aproveitam no depósito. Mãe de três crianças (de três, seis e nove anos), Aparecida dos Santos afirma que é difícil evitar que a molecada brinque no meio da sujeira. Todas as crianças do bairro brincam aqui.
Na avaliação da dona de casa Rosinéia Aparecida da Silva Vieira, a valeta usada como depósito de lixo foi aberta na época em que a prefeitura pavimentou ruas do Jardim Santa-Fé. Grávida de cinco meses e mãe de duas crinças, uma de três e outra de cinco anos, Rosinéia Vieira alerta que é comum a presença de lixo hospitalar no meio dos entulhos jogados no bairro. Não tem condições de segurar as crianças, que pegam até seringas no meio do lixo.
Antonio Vilas Boas, de 70 anos, mora com a esposa Elza e dois netos (de sete e oito anos) a menos de três metros do lixão e reclama da proliferação de pernilongos, ratos e baratas, que invadem as casas. É um mau cheiro e muito pernilongo. Também junta rato e barata. Para amenizar o problema as pessoas costumavam atear fogo no lixo, mas a pedido dos vizinhos essa alternativa está sendo evitada.
O diretor de manutenção e serviços da Comurb, Rafael Fuentes, informou por intermédio da assessoria de imprensa da companhia que já tem conhecimento do lixão. Segundo ele na semana passada um fiscal da Comurb esteve no Jardim Monte Cristo e constatou o problema. Como os caminhões de coleta não passam pelo bairro, Fuentes afirma que uma das hipóteses é colocar caçambas no bairro e retirar aos poucos o entulho depositado de forma irregular. A Comurb também deverá providenciar um estudo técnico sobre a viabilidade de aterrar o buraco, usado como bota-fora.
Ontem, um grupo de moradores da localidade esteve no Fórum para protestar contra a falta de água e luz na área. A presidente da Associação de Moradores do Monte Cristo, Luzia Madalena Moreira, conversou com o promotor de Defesa dos Direitos e Garantias Constitucionais, Paulo Tavares.
O promotor argumentou, porém, que iria se informar com a Cohab sobre as negociações com os moradores da área invadida. O diretor-executivo da Cohab, Agnaldo Rosa, esclareceu que a companhia está negociando a compra do terreno onde estão as casas e que até a negociação ser efetivada, não há como autorizar a instalação de luz e água encanada.





