Lixo atrai população pobre e vira problema no Calçadão César AugustoO lixo dos moradores do centro é a única opção de alimentação para muitas famílias Érika Pelegrino de Londrina Todo final de tarde e início de noite uma cena se repete no Calçadão, nas proximidades da Rua Professor João Cândido, na área central de Londrina. Em meio a diversos sacos de lixos vê-se crianças e adultos revirando restos que são deixados pelo comércio e edifícios residenciais do local. Os moradores de rua e mesmo pessoas com endereço certo, mas sem comida garantida na mesa, têm, talvez, uma certa preferência pelo local porque sabem que o lixo recolhido é farto em restos de comida, já que é produzido por restaurantes, lanchonetes e bares. O horário que estas pessoas têm para a fazer a ‘‘cata’’ que poderá garantir o alimento do dia é das 18 horas – quando o comércio fecha e o movimento no Calçadão diminui – às 22 horas, quando o caminhão da Vega Sopave passa recolhendo os sacos de lixo. O outro lado desta história composto pelos moradores de edifícios – Ribeiro Pena, Cinzia, Camioto – não vive a realidade da fome, mas a do mal estar em se deparar com uma cena deprimente: pessoas comendo restos de comida. Os moradores convivem ainda com o mau cheiro provocado pelo lixo que fica espalhado pelo Calçadão. A jornalista Valéria Giani, moradora do Edifício Ribeiro Pena, afirma que diariamente os catadores rasgam os sacos de lixo à procura de alimentos e deixam tudo revirado e espalhado no Calçadão. ‘‘Fica até aquele chorume do lixo no chão. É nojento’’, afirma. Valéria Giani diz que os moradores reclamam da falta de um local para acondicionar o lixo e evitar que fiquem expostos na calçada. Nos últimos dias a situação ficou pior. Por falta de sacos de lixo as varredoras de rua amontoam o lixo nas calçadas. Com o vento, o lixo se espalha. O diretor de manutenção e serviços da Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), Humberto Alves Lima, explica que já está estudando junto com a Vega Ambiental uma solução para a questão do lixo que é revirado nas ruas. O problema da falta de saco de lixo está sendo resolvido através de licitação para a compra de 300 mil unidades, que serão utilizadas em seis meses.

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