Lixo ainda preocupa moradores
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terça-feira, 13 de novembro de 2012
Fernanda Carreira <br> Reportagem Local 
Quase um mês após o início da operação ''Força-tarefa contra a dengue'' na zona leste de Londrina, que resultou na retirada de cerca de 400 caminhões de lixo, a impressão é que a situação pouco mudou nos jardins Santa Fé, Meton, Marabá, Monte Cristo e Morro dos Carrapatos. Amontoados de lixo e entulhos continuam incomodando os moradores da região. A comunidade, muitas vezes, também não contribui com a limpeza.
A área mais crítica é o fundo de vale, onde se localiza o Córrego das Pedras. São restos de móveis e eletrodomésticos, peças de carros e pneus, garrafas pet, caixas de leite, vasos plásticos, embalagens de alimentos, roupas, calçados e papéis, que se misturam a fezes de animais que circulam por lá o dia todo. Um cenário perfeito para a continuidade da proliferação de roedores, escorpiões, cobras, carrapatos e insetos, como o mosquito transmissor da dengue, Aedes aegypti.
Cansado da situação, o pedreiro Euclides Roberto, morador da Rua José Ferreira da Silva, atribui aos próprios vizinhos o desleixo com o espaço. ''Não adianta, o povo não respeita nem onde vive. Vejo direto morador trazendo sofá, ventiladores quebrados e tudo quanto é tipo de lixo e jogando aqui do lado de casa'', conta o pedreiro, que vive com a família de dez pessoas há cerca de 30 anos, no Jardim Santa Fé. ''E a gente não pode nem reclamar, porque se fala alguma coisa já arruma confusão.''
O servente de pedreiro Rogério da Silva, vizinho de Roberto, detalha que quando o lixo aumenta é comum o aparecimento de escorpiões e ratos em sua casa. ''Eu fico preocupado, porque assim como aumenta o mosquito da dengue, aumentam também os carrapatos, escorpiões e ratos. Nem posso deixar minhas filhas brincarem descalças e tranquilas no quintal'', acrescenta.
Para a auxiliar de cozinha Simone dos Santos, moradora da Rua Amélia Compri Vallim, o problema se agravou ainda mais com a saída das famílias do Morro do Carrapato, que foram transferidas para um conjunto habitacional da Cohab. ''Pelo menos antes, com as pessoas morando aqui, os outros moradores respeitavam mais o fundo de vale e não jogavam tanto lixo. Mas agora ninguém está nem aí.''
Neste ano, a Secretaria Municipal de Saúde registrou 77 casos de dengue. Apesar da redução em relação ao mesmo período do ano passado, quando houve 7.412 casos, o coordenador de Endemias da secretaria, Elson Belisário, destaca que todo cuidado com a doença ainda é pouco, principalmente nessa época do ano, com a ocorrência de chuvas e o aumento da temperatura.
''Estamos em um período crítico e a população deve fazer a sua parte, cuidando para manter tudo limpo. O controle da doença não cabe apenas ao poder público'', enfatizou o coordenador. ''A revisão no domicílio, pelo menos uma vez por semana, para eliminar possíveis criadouros é fundamental.'' Ontem, as equipes de Endemias retomaram as vistorias nas casas e o trabalho de conscientização.
A operação contra dengue teve início no dia 18 de outubro, com a realização vistorias nas casas, remoção de entulhos, lixo e qualquer tipo de foco do mosquito. Segundo o diretor de Operações da Companhia Municipal de Trânsito (CMTU), Décio Zulian, a força-tarefa deve continuar até o fim do ano.


