Lixo agrava situação da saúde pública
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quinta-feira, 24 de julho de 1997
Paulo Pegoraro Cascavel 
Edson MazzettoDilema mundialFelipe Solsona (à esq.) e Nicolau Obladen. Ao fundo, pôster da cidade de Cascavel. Crescimento da população urbana aumenta dimensões do problemaA destinação inadequada do lixo urbano contribuiu para agravar as condições da saúde pública em países do Terceiro Mundo, inclusive na América Latina. O alerta foi feito ontem em Cascavel por especialistas que participam do Seminário Internacional sobre Coleta Seletiva e Reciclagem de Resíduos Sólidos Urbanos. O evento, realizado no Parque Agrotecnológico, é organizado por três fundações tecnológicas do Oeste do Estado, com apoio de órgãos oficiais do setor.
O seminário prossegue até amanhã, com conferências e relato de experiências sobre o tratamento do lixo. O engenheiro argentino Felipe Solsona, representante da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), disse que a preocupação com a saúde pública aumenta com o crescimento da população urbana. Isto porque o resultado é a geração de mais lixo. Em algumas cidades da América Latina, onde 75% dos 475 milhões de habitantes vivem na zona urbana, a produção de lixo é de cerca de 1 quilo ao dia por pessoa.
Do volume de resíduos gerados, só 23% recebem tratamento adequado. Somando a América Latina e o Caribe, 1,4 milhão de metros cúbicos de resíduos são produzidos diariamente pelos domicílios e apenas 50 mil vão para aterros efetivamente caracterizados como sanitários. Entre os resíduos classificados como mais perigosos, provenientes de indústrias, 90% são líquidos. Destes, 63% são gerados pelo setor têxtil e 21% pelo químico. O Poder Público acaba tendo que assumir o manejo destes materiais.
Por isso, o representante da OMS e da Opas questionou a ausência de responsabilização daqueles que geram o lixo. Segundo ele, a questão do lixo não tem recebido a devida importância, contribuindo para isso a falta de recursos oficiais, legislação específica confusa ou inexistente e falta de decisão política de governantes. A cada R$ 4,00 investidos em saneamento, gasta-se R$ 4,00 a menos no tratamento de doenças, acrescentou Felipe Solsona.
O professor Nicolau Obladen, do Instituto de Saneamento Ambiental da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, disse que as comunidades devem se mobilizar na discussão sobre resíduos domiciliares e industriais que vão para lixões a céu aberto, não esperando que eles (os lixões) cheguem perto de suas casas ou contaminam suas águas. Obladen é autor da proposta de um programa denominado RRR (Redução, Reutilização e Reciclagem de Resíduos Sólidos no Paraná).
O RRR propõe ações para coleta, tratamento e reciclagem que poderiam reduzir em pelo menos 20% o volume de materiais depositado em lixões ou nos poucos aterros sanitários existentes no Paraná. Anualmente, o volume de resíduos sólidos gerado é superior a 1,4 milhão de toneladas. Não reaproveitamos nem 2% deste volume, estimou Obladen. A proposta do programa RRR foi elaborada há três anos e encaminhada ao governo do Estado, mas até hoje não avançou, informou.


