Lixeiros sofrem com material cortante
A prefeitura está lançando uma campanha para orientar sobre acondicionamento e separação do lixo
SMCSEconomiaA Usina de Reciclagem da Prefeitura recebe 20 toneladas por dia e mantém 100 funcionários separando lixo
Luciana Pombo
A falta de cuidado com o acondicionamento e a separação do lixo têm causado cerca de 15 acidentes por mês com os funcionários da limpeza pública de Curitiba. Por esta razão, a prefeitura resolveu iniciar uma campanha de conscientização para ensinar a população a embalar azulejos, vidros e garrafas antes de jogá-los no lixo. Segundo o diretor de limpeza pública da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Nelson Xavier Paes, o lixo cortante mal embalado pode romper o saco e ocasionar cortes nos braços e pernas dos coletores. ‘‘Temos tido diversos problemas com acidentes e que podem ser evitados com o auxílio da população’’, afirmou Paes.
Entre os conselhos dados por ele para evitar acidentes com o lixo estão o acondicionamento de cacos de vidro e garrafas em caixas de papelão ou embrulhadas em jornais velhos; a colocação das tampas de alumínio dentro das latas usadas; e o cuidado de cobrir as agulhas de seringa com capas plásticas. ‘‘A população desconhece os perigos e precisamos fazer um alerta’’, salientou ele. De acordo com os dados da prefeitura, os gastos com exames médicos com um coletor de lixo que sofre um acidente com uma seringa chegam a R$ 800,00.
Além de jogar adequadamente os resíduos, Paes orienta para que o lixo reciclável seja separado e entregue aos caminhões que circulam pelos bairros entre uma a três vezes por semana. ‘‘A população pode separar o vidro quebrado e a garrafa para entregar ao Lixo que não é Lixo, além de dar maior segurança, isto nos ajudaria a economizar e a criar mais empregos na cidade’’, afirmou o diretor da limpeza. De acordo com ele, o programa arrecada cerca de duas mil toneladas de lixo reciclável por mês, mas apenas 20% pode ser reciclado.
O programa Lixo que não é Lixo foi lançado em Curitiba há quase dez anos. Segundo os dados da prefeitura, de 1989 até março de 1999, já foram poupadas quase um milhão de árvores por causa da separação e reciclagem de papel e papelão. ‘‘O trabalho tem sido intenso e a população precisa continuar colaborando’’, disse Paes. Além dos caminhões de lixo, os 1500 carrinheiros de Curitiba também contribuem com o processo de coleta do material reciclável. Cada carrinheiro recolhe, em média, 150 quilos por dia.
Parte do lixo reciclável é encaminhada para a Usina de Reciclagem, que faz a separação dos materiais e o encaminhamento dos produtos para diferentes indústrias da cidade. Por dia, os 100 funcionários da Usina são responsáveis pela separação e processamento de 20 toneladas de lixo.
A maior parte (31,5%) do material reciclado é composta por papel, mas também são reaproveitados vidro (15,87%), sucata ferrosa (15,53%), materiais plásticos (14,43%), caixas de leite longa vida (1,36%), alumínio (1,4%), entre outros.

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