Lixão ‘vaza’ e pode
poluir lençol freático
Dreno da lagoa de chorume já ameaça mananciais da zona leste
Lúcio Horta
ReproduçãoA céu aberto
Cava drena excesso da lagoa de chorume: riscos ao meio ambiente A lagoa de chorume do aterro sanitário de Londrina, ou Lixão, como também é conhecido, transbordou nas últimas chuvas e pode estar atingindo o lençol freático da região e contaminando mananciais. Além disso, o chorume alcançou a Casa de Máquinas e parte dos equipamentos que servem para a manutenção do aterro.
O alerta faz parte de um relatório produzido pelo Núcleo de Meio Ambiente da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e encaminhado, semana passada, à Promotoria do Meio Ambiente. Nas fotos incluídas no relatório, o Núcleo de Meio Ambiente da UEL mostra que foi construído um dreno no aterro, levando parte do chorume da lagoa para uma ‘‘cava’’ aberta a céu aberto.
Depois de receber o documento, mostrando a situação do local, a promotora Maria Lúcia Reichembach notificou a Autarquia do Meio Ambiente (AMA) para que tome providências. Também solicitou ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP), até a próxima sexta-feira, um diagnóstico da situação do local e aponte quais são os danos ambientais que podem ocorrer no aterro em função dos problemas apontados no relatório da UEL.
Em audiência no começo da semana, Reichembach pediu também ao presidente da AMA, Mauro Maggi, para que na próxima segunda-feira apresente o contrato firmado com a Vega Sopave - concessionária do serviço de coleta de lixo na Cidade e que cuida da operação do aterro - para conferir exatamente de quem é a responsabilidade na manutenção do aterro sanitário. ‘‘Se houve dano ao meio ambiente, alguém vai ter que pagar’’, destaca.
A promotora lembra que o aterro sanitário (zona leste) vem produzindo problemas já há vários anos. Em 1996, questionado sobre a péssima situação do aterro, a prefeitura alegou que não tinha dinheiro para promover melhorias no local; e a Vega Sopave, por sua vez, que não podia fazer nada porque a prefeitura não estava pagando pelo serviço de coleta de lixo.
Como na época era final de mandato, a promotoria optou por esperar a posse da nova administração para cobrar soluções. Foram feitas obras emergenciais e técnicos da AMA e do IAP apontaram que a vida útil do aterro era de mais um ano somente. Por isso, foi formada uma comissão - com integrantes da AMA, IAP, Ippul, Câmara e UEL - para definir o local de um novo aterro sanitário.
A promotora reclama, no entanto, que desde a metade do ano passado não se falou mais na comissão e nem na definição de um novo local. Enquanto isso, a situação no local piorou com o excesso de chuvas. ‘‘A comissão não falou mais nada e não se sabe a que conclusão chegou. Me parece que o assunto ou foi esquecido ou ficou em banho-maria’’, diz a promotora.
Assim que avaliar de quem é a culpa pela situação do aterro sanitário, Maria Lúcia Reichembach diz que vai exigir que seja feito um trabalho para impedir que a poluição no local tenha continuidade. Se isso não bastar, promete ajuizar uma ação civil pública contra os responsáveis.
O presidente da AMA, Mauro Maggi, afirma que o dreno e a ‘‘cava’’ foram abertos no aterro pela própria autarquia. O motivo, ele diz, é que a capacidade da lagoa de chorume está esgotada e, não fosse a vala, haveria o risco de rompimento. Embora admita que da forma que foi feito possa haver contaminação no lençol freático, Maggi argumenta que se houvesse o rompimento do lago o prejuízo seria ainda maior. ‘‘Foi um improviso.’’
Para solucionar o problema de uma vez, o presidente da AMA diz que a prefeitura está estudando desapropriar uma área ao lado do aterro para construir um novo lago. Além disso, a autarquia está refazendo o sistema de drenagem da água da chuva e compactando e recombrindo o lixo, trabalhos que estavam paralisados por causa da chuva. ‘‘Em um mês deve estar tudo normal.’’
Sobre a nova área do aterro, Maggi afirma que a comissão formada ano passado teve problemas, como desistência de alguns integrantes. Por isso, ele diz, o trabalho foi suspenso por alguns meses e já retomado este ano. Ele afirma também que quatro áreas foram pré-estabelecidas, mas faltam ainda os estudos de impacto ambiental para avaliar se elas podem ou não comportar o novo aterro. Por isso, não há prazo para transferência.

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