'Lixão' guarda 70 mil pneus velhos
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quinta-feira, 03 de abril de 2003
Giovana Kindlein<br> Reportagem Local 
Setenta mil pneus usados, estocados a céu aberto, se avolumam no aterro sanitário de Londrina. O produto irrecuperável, que deveria ser enviado para reciclagem em uma empresa de Curitiba, serve hoje de criadouro ideal para o mosquito Aedes egypti, causador da dengue. ''Isto é agravar o risco, diante da epidemia de dengue que estamos vivendo'', afirmou a vereadora Sandra Graça (PDT), ontem na Câmara.
A última remessa de pneus feita pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) para a BS Colway aconteceu em 29 de janeiro. A administradora da empresa, Priscilla Bonacin, tem o registro das duas últimas duas cargas: uma de 2.864 pneus, em 13 de janeiro, e outra de 3.436, em 29 de janeiro. Embora admita que em fevereiro recusou recebimento de Londrina por excesso de estoque no pátio da empresa, ela disse acreditar que ''Londrina tem capacidade para enviar material com mais frequência''. Em março, Londrina não enviou nenhuma carga. Em contrapartida, a prefeitura de Cambé (13 km a oeste de Londrina) mandou 1.678 pneus no último dia 28 de março.
O técnico responsável pelo aterro sanitário, Elsoni Delavi, justificou a grande quantidade de pneus no local pela falta de espaço na BS Colway e também pelo resultado do Dia D, em 22 de março. ''Foram recolhidos quase 40 mil pneus em toda a cidade, somente naquele dia'', complementou o assessor de imprensa da CMTU, Salvador Francisco. Ele alegou também que ''não tem problema nenhum, os pneus ficarem um mês a mais, um mês a menos no aterro sanitário, se eles estão sendo pulverizados com inseticida''. A CMTU está agendando para os próximos 15 dias o envio de uma nova remessa de pneus para a BS Colway. A empresa tem capacidade para receber de 15 mil a 20 mil pneus ao dia.


