Lixão de Santo Antônio da Platina abriga moradores
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quinta-feira, 21 de junho de 2001
Benedito Teles De Santo Antônio da Platina 
A área do lixão de Santo Antônio da Platina abriga três barracos e seis moradores, além de funcionar como garimpo para quase 15 pessoas. A prefeitura admite a existência do problema, mas garante que todos os garimpeiros do lixão serão removidos somente em setembro com a inauguração do aterro sanitário.
Os moradores do lixão vivem em condições precárias, em meio aos detritos junto a cães e urubus, e não acreditam na possibilidade de contaminação pelo lixo. Um deles, o seu Nelson Ribeiro, disse que está acostumado. Em suas contas, ele mora há 15 anos em áreas de lixão. Morei seis anos em Santa Mariana e mais nove aqui, enfatizou. Ribeiro disse que foi agricultor, mas que os problemas de saúde o impediram de trabalhar na lavoura; então optou pelo lixo.
Ribeiro mora sozinho e explica que consome água de uma mina localizada há cerca de 300 metros de sua casa, próxima à área do lixão. O barraco onde ele vive, com cerca de dois metros de comprimento por quatro de largura, é coberto por lona. Não tenho hora para catar lixo, sempre que posso cato, porque aqui não tem nada melhor para fazer, lamentou. Ele admitiu que muitas vezes as famílias que trabalham no lixão levam crianças para ajudar na coleta.
Em outro barraco bem próximo à entrada do lixão vive uma família formada por quatro rapazes. O mais velho Anésio da Silva, 21 anos, explica que a família veio de Santa Amélia, de onde foram despejados. Não havia opção. Tivemos que vir morar aqui, confidencia.
Silva alega que não concluiu o primário, assim como seus irmãos, e admite que não tem esperança de encontrar outro emprego. Não tenho nem casa. Como vou arrumar um emprego melhor?, questiona. Outro irmão, Marcos da Silva, 19 anos, também não tem perspectivas . Assim que o aterro começar a funcionar vamos ficar sem dinheiro, disse.
Segundo o diretor do departamento de planejamento da prefeitura de Santo Antônio da Platina, Celso Botelho, o problema dos moradores do lixão será resolvido assim que o aterro for construído. Além disso, a prefeitura deve estimular a criação de associações de catadores para realizar a coleta do lixo nas casas. Ele explica que objetivo é aumentar o ganho das pessoas com a cessão de equipamentos como carroças e materiais adequados. Segundo Botelho, o lixo separado nas residências tem maior valor econômico.


