Lixão de Maringá é um dos piores do Estado
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quarta-feira, 09 de outubro de 2002
Lucinéia Parra<br> Equipe da Folha 
Maringá - Uma comissão técnica da Promotoria Pública de Meio Ambiente de Curitiba vistoriou ontem as obras no lixão de Maringá. Considerado um dos problemas mais graves da cidade, a área, de quase três alqueires, foi cercada e aproximadamente 90% do lixo compactado. Apesar disso, a comissão considerou o lixão um dos piores do Estado e vai exigir que o município agilize o processo de construção do aterro sanitário. Uma área ao lado do lixão que estaria sendo adquirida pela prefeitura para o aterro sanitário do município foi praticamente descartada pela comissão porque fica próximo a um córrego.
A presença de trabalhadores no local, incluindo adolescentes, foi outro problema detectado ontem. O promotor de Justiça de Curitiba, Roberto de Azevedo, disse que vai denunciar o fato ao Conselho da Criança e do Adolescente. ''O Conselho é que vai identificar estes adolescentes e ver de onde eles vêm'', acrescentou. Segundo Azevedo, os adolescentes estão em situação de risco porque trabalham numa área totalmente inadequada.
Além do lixão de Maringá, a comissão vai vistoriar até amanhã, os lixões de vários municipios da região metropolitana (Marialva, Ivatuba, Floresta, Paiçandu, e Sarandi). De acordo com o Promotor de Defesa do Meio Ambiente de Maringá, Ilecir Herckt, o município já avançou um pouco na questão do lixão, mas ainda precisa dar um destino adequado ao lixo coletado diariamente na cidade.
A Promotoria entrou com uma ação contra o município em 1991 exigindo o fechamento do lixão e recuperação da área. Segundo Herckt, o município ainda está devendo a construção do aterro.
Diante do grande número de trabalhadores que atuam no lixão e que são moradores de outros municípios, principalmente de Paiçandu (10 km de Maringá ) e Sarandi (7 km de Maringá), uma das sugestões discutidas ontem pelos membros da comissão é que um estudo ambiental para a construção do aterro sanitário de Maringá seja apresentado e debatido com a região metropolitana.
De acordo com o secretário de Meio Ambiente de Maringá, José Eudes, o município está criando uma comissão que vai fazer um estudo ambiental na área do futuro aterro sanitário. Ele admitiu que a prefeitura está interessada em adquirir o terreno ao lado porque a área já está comprometida. ''Se formos levar o aterro para outra área vamos impactar outra região, não sei se seria interessante'', acrescentou. C
Conforme Eudes, 90% do que tinha que ser feito no lixão foi feito. Ele disse que as famílias que estão trabalhando no local são incentivadas por comerciantes interessados no lixo recuperado a preço mais acessível. Além de cercar a área do lixão, Eudes citou a criação de duas cooperativas de lixo que absorveu boa parte dos trabalhadores que antes atuavam no lixão. ''Mas outras pessoas foram para lá e este é um problema que não conseguimos evitar, a não ser a partir da construção do aterro'', explicou.


